Cristão é preso e crucificado no Egito por se converter ao cristianismo

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Crítico caso de fé no Egito: cristão egípcio convertido sob acusação de “desprezo ao Islã” é julgado no Cairo; defesa aponta violações de due process

Um cristão egípcio convertido enfrenta acusações ligadas à sua mudança religiosa em documentos oficiais e, ao mesmo tempo, acusações associadas a atividades “terroristas” no Cairo. O julgamento iniciou na semana passada, com o tribunal adiando a próxima audiência para 15 de junho, segundo informações da defesa e de organizações de direitos humanos. O caso ilustra as tensões entre liberdade de crença e leis locais que tratam de mudanças de religião como ameaça à segurança nacional.

O réu, Said Mansour Rezk Abdelrazek, foi detido em julho sob acusações que abrangem a criação e liderança de um grupo em violação da lei, participação em uma organização supostamente fundada ilegalmente, financiamento do grupo, promoção de ideias prejudiciais à unidade nacional e à paz social, além de desprezo pelo Islã e questionamento de seus princípios. Enquanto a apostasia em si não é ilegal no Egito, mudar a designação religiosa em documentos oficiais é praticamente impossível e pode dar ensejo a processos de violação da segurança nacional.

A defesa de Abdelrazek, acompanhada pela organização Coptic Solidarity, destacou que as acusações são fundamentadas em ações ligadas à sua fé. O tribunal também ouviu que a equipe de Abdelrazek havia solicitado o adiamento do processo para apresentar uma defesa completa, pedido que foi atendido, com a próxima audiência marcada para meados de junho. O caso tem ganhado ampla atenção de grupos internacionais de direitos humanos, que questionam a transparência dos tribunais do Paquist de Badr, no leste do Cairo, e a prática de detenção preventiva prolongada, bem como o acesso limitado a advogados.

A USCIRF (Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional) designou Abdelrazek como prisioneiro de consciência religiosa, observando que ele foi detido por sua conversão ao cristianismo e atividades religiosas. A Procuradoria egípcia acusou-o de “desprezo pelo Islã”, participação em uma organização terrorista proibida, incitação à desordem e disseminação de informações falsas. Durante a detenção, segundo a USCIRF, Abdelrazek sofreu abusos físicos e psicológicos, atribuídos à perseguição por suas crenças religiosas, o que acende debates sobre o tratamento de convertidos no sistema judiciário do país.

Segundo o relato de defesa, Abdelrazek converteu-se ao cristianismo em 2016, após anos de reflexão, e desde então enfrenta perseguição constante. Em 2019, ele fugiu para a Rússia buscando asilo por motivos religiosos, porém foi preso em 2023 sob acusações vinculadas a um vídeo privado que supostamente ofendia o Islã. Em 2024, as autoridades russas o deportaram para o Egito, um movimento considerado violação do princípio de não repulsão, já que havia documentação do ACNUR reconhecendo sua proteção internacional. Ao retornar ao Egito, Abdelrazek foi novamente detido por cerca de 10 dias, sem acesso adequado a informações ou a um advogado.

Em julho de 2025, Abdelrazek voltou a ser detido sem mandado de prisão após publicar novamente suas crenças religiosas online e pedir auxílio para alterar a designação de religião em seus documentos. O caso também envolve questões de visto humanitário: Abdelrazek aguarda uma decisão sobre um pedido de proteção na Austrália, apresentando, em maio de 2024, a pretensão de se reunir com sua noiva australiana. O Church in Chains e outros defensores destacam a pressão diplomática necessária para assegurar a sua liberação e proteção internacional, sustentando a necessidade de ação humanitária rápida.

A organização Open Doors listou o Egito na 42ª posição da sua Classificação Mundial de Perseguição em 2026, destacando a severidade das dificuldades enfrentadas por cristãos que deixam o Islã. A carta de apoio à causa, enviada em 26 de janeiro ao governo australiano, pede a concessão de status de refugiado ou proteção, a intervenção diplomática com autoridades egípcias para libertação imediata e incondicional, e a apresentação do caso em foros internacionais, enfatizando obrigações do Egito segundo o direito internacional dos direitos humanos.

Este caso, acompanhado por organizações como Coptic Solidarity, USSCIRF e Church in Chains, coloca em evidência os dilemas entre fé, identidade e leis em uma região onde direitos civis e religiosas costumam andar em velocidades diferentes. A situação continua em curso, com o próximo desdobramento previsto para o mês de junho, quando nova audiência deverá ocorrer. A comunidade jurídica e os defensores internacionais pedem transparência, devido processo e proteção aos direitos humanos de Abdelrazek, especialmente no que tange à liberdade de crença.

O que você pensa sobre o equilíbrio entre segurança nacional e liberdade religiosa em contextos de mudança de fé? Os próximos passos do caso podem influenciar políticas de imigração e proteção de refugiados na região. Compartilhe sua opinião nos comentários e participe do debate sobre fé, direitos humanos e justiça no Egito.

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