Os EUA avaliam indiciar Raúl Castro pelo abate de dois aviões da ONG Irmãos ao Resgate, ocorrido há 30 anos, em 1996. O movimento acontece em meio a uma escalada de tensões entre Washington e Havana, com o embargo endurecido pela administração de Donald Trump e um cenário econômico desafiador para a ilha. O desfecho pode redefinir as relações bilaterais.
Naquele episódio, quatro tripulantes morreram depois de decolar para apoiar refugiados no Golfo do México e serem abatidos por caças MiG cubanos. Fidel Castro chefiava o país na época, e Raúl Castro comandava as Forças Armadas. Os EUA sustentam que as aeronaves atuavam em águas internacionais; Cuba afirma violação de seu espaço aéreo e aponta atos de sabotagem. O caso reacende velhas acusações entre as partes.
A tensão se aprofundou com as medidas de embargo que acompanham o governo de Donald Trump, ampliando sanções e restringindo o petróleo após a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, o que fortalece a pressão econômica sobre Cuba.
Entre 14 e 15 de maio, Cuba informou que enfrenta escassez de combustível e diesel, com episódios de apagões. Em 15 de maio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana com autoridades cubanas; o governo cubano disse que a reunião foi solicitada pelos EUA e tratou de questões de segurança, terrorismo e relações bilaterais, conforme o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas.
Caso o indiciamento avance, Raúl Castro, hoje com 94 anos, pode mudar novamente o mapa das relações entre a região e os Estados Unidos. O desfecho impactará diplomacia, cooperação antiterrorismo e a economia cubana, já pressionada por fatores externos e internos.
