Resumo direto: pelo menos seis trabalhadores cristãos de saneamento morreram recentemente nas províncias de Punjab e Sindh, Paquistão, após inalarem gases tóxicos durante a desobstrução de esgotos. Mesmo com ordens judiciais para ampliar a segurança, as mortes expõem falhas graves na proteção desses profissionais e a violência invisível da discriminação no trabalho.
Entre os casos, Shabbir Masih, pai de três filhos, faleceu em Faisalabad em 7 de maio, enquanto Sanwal Masih ficou hospitalizado. Em 4 de maio, Shakeel Masih e Samar Masih morreram em Sahiwal, durante a limpeza de um bueiro sem equipamento de proteção. Em 17 de abril, Wilson, Waqas e Nazeer perderam a vida em Surjani Town, Karachi, ao desobstruírem uma rede de esgoto.
Segundo o ativista de direitos humanos William Pervaiz, Shabbir Masih não recebia salário há dois meses e foi obrigado a trabalhar sem equipamento de segurança, em meio à extrema pobreza.
Ejaz Alam Augustine, integrante cristão da Assembleia do Punjab, criticou a WASA e as gestões municipais, pedindo uma investigação cuidadosa sobre o uso de um subcontratado cristão como bode expiatório para proteger um empreiteiro muçulmano da responsabilidade.
Grupos de defesa dos direitos trabalhistas destacam que as mortes recentes evidenciam discriminação e marginalização da população cristã, que representa grande parte da mão de obra de saneamento no Paquistão, estimada em cerca de 80% do total.
Um relatório da Anistia Internacional, em julho de 2025, aponta discriminação sistêmica, condições perigosas e exclusão por castas no emprego público de saneamento, com mulheres enfrentando “tripla discriminação” por casta, religião e gênero. O documento cita ainda casos de blasfêmia envolvendo trabalhadores cristãos, incluindo Asia Bibi.
O Tribunal Superior de Islamabad (IHC) registrou, em decisões de dezembro de 2025, que mais de 70 trabalhadores cristãos de saneamento morreram desde 1988 por exposição a gases tóxicos. O tribunal determinou que o governo federal implemente medidas de proteção amplas, incluindo equipamentos de proteção individual e monitoramento adequado. Paralelamente, a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) protocolou uma ação constitucional pedindo o fim da limpeza manual de esgoto e a criação de uma rede nacional de saúde e segurança para esses trabalhadores.
Com a retomada das audiências da FCC sobre o tema, ativistas asseguram a necessidade urgente de reformas estruturais, responsabilização por negligência e recursos para fiscalização, treinamento e proteção no setor de saneamento. A situação revela um problema grave de direitos humanos que afeta moradores, famílias e comunidades inteiras.
