Romeu Zema, pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, endureceu o tom nesta terça-feira ao comentar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O político classificou o episódio como uma traição ao Partido Novo, rompendo a ideia de que o tema já estaria superado, conforme havia sugerido uma declaração anterior de que a questão era uma página virada.
A mudança de postura de Zema ocorre após Flávio Bolsonaro admitir publicamente ter se reunido com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, ocorrida no fim de 2025. O senador, também pré-candidato pelo PL, justificou o encontro dizendo que a reunião tinha o objetivo de pôr fim à controvérsia sobre o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Em Blumenau, Zema afirmou que ninguém do Novo foi avisado sobre o contato com Vorcaro. Se houve traição, afirmou, quem acabou traído foi o próprio partido.
Antes desse episódio, Zema defendia a união de candidatos de direita em um possível segundo turno contra Lula e sempre negou a hipótese de compor chapa como vice de Flávio Bolsonaro, mantendo sua pré-candidatura.
Ele chegou a ironizar, em redes sociais e em coletivas, que havia convidado Flávio para ser seu vice.
O episódio ganhou contornos após o vazamento de conversas entre Flávio e Vorcaro, na última quarta-feira. Zema classificou como imperdoável o fato de o parlamentar ter pedido dinheiro ao banqueiro; Flávio rebateu, dizendo que o colega havia se precipitado.
A imprensa revelou que o filme Dark Horse recebeu financiamento de Vorcaro. Flávio Bolsonaro admitiu ter intermediado as negociações e cobrado repasses que totalizaram cerca de R$ 61 milhões para o projeto antes da prisão do banqueiro.
