Resumo: Lázaro Ramos relembra a estreia como diretor com o longa Medida Provisória, lançado em 2022, inspirado na peça Namíbia, Não!. Gravado inteiramente no Rio de Janeiro, o filme transporta a atmosfera de Salvador para a cidade fluminense, revelando bastidores que vão desde escolhas criativas até limitações orçamentárias, com foco na mensagem da obra.
Em entrevista e no livro Medida provisória – Diário do diretor, Ramos detalha como as gravações aconteceram na rua, com cenas registradas em Gamboa e na Pequena África. A ideia era recriar a Bahia dentro do Rio sem mudar o DDD, mantendo a verossimilhança da narrativa e a circulação de pessoas como parte da história.
Com orçamento apertado e tempo curto, a equipe recorreu a uma solução criativa: gravar no mesmo espaço e, com ajustes de câmera, virar três cenários diferentes. A técnica permitiu que o público perceba Salvador mesmo sem deslocar a produção, mantendo a energia de rua que o filme propõe e fortalecendo a ideia de transformação urbana em cena.
Entre as cenas-chave, a fuga da personagem de Taís Araújo e a atuação de capoeiristas ganharam vida com recursos de efeitos especiais que “colaram” o Elevador Lacerda a um ponto de referência no Rio. Segundo Ramos, muitas pessoas não percebem onde fica a montagem, o que reforça a sensação de cidade em mutação.
A decisão criativa de não exibir sangue, tiros ou armas também é destacada pelo diretor. O filme aposta em uma transição de linguagem, priorizando atmosfera, ritmo e mensagem, em vez de violência explícita, como parte da proposta de época em que foi concebido.
Mais detalhes aparecem no livro e em entrevistas recentes, onde Ramos reforça que Medida Provisória não é apenas uma narrativa sobre uma cidade, mas uma experiência cinematográfica que brinca com locais para provocar a visão do público sobre espaço urbano. O resultado é uma obra que dialoga com o presente sem perder a sua essência artística.
