Justiça condena Airbus e Air France pelo acidente do voo Rio-Paris em 2009

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Justiça francesa condenou as companhias Airbus e Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, o acidente que matou 228 pessoas em 2009. A decisão, anunciada pelo Tribunal de Apelação de Paris, reverte a absolvição proferida em 2023, afirmando que as empresas foram responsáveis pelos desdobramentos trágicos.

A sentença estabelece a responsabilidade penal das duas empresas e impõe a multa máxima de 225.000 euros, equivalentes a cerca de 260.000 dólares ou aproximadamente 1,3 milhão de reais. Os juízes mantêm a consideração de responsabilidade civil das empresas, reconhecendo falhas que contribuíram para a tragédia, mesmo que o MP tenha inicialmente buscado, na primeira instância, apenas a absolvição penal.

O acidente ocorreu em 1º de junho de 2009, quando o Airbus A330 que operava o voo AF447, entre o Rio de Janeiro e Paris, caiu no Atlântico, poucos minutos após a decolagem. Ao todo, havia 228 pessoas a bordo, de 33 nacionalidades, incluindo 61 franceses e 58 brasileiros. A investigação apontou falhas repetidas nas sondas Pitot, que medem velocidade no alto, associadas a decisões da tripulação em condições climáticas adversas.

Nesta nova etapa do processo, o Ministério Público argumentou que a Airbus subestimou a gravidade das falhas das sondas e não informou de forma célere as companhias que utilizavam o sistema, enquanto a Air France foi criticada por não treinar adequadamente as equipes para situações de congelamento das sondas. Os advogados de defesa defenderam que o desastre resultou de escolhas dos pilotos diante de emergências, mas o MP sinalizou que houve falhas relevantes das empresas. Em meio ao julgamento, promotores criticaram o que classificaram como “indecência” e “circo” para descrever a condução do caso na época.

A decisão da apelação pode ampliar o escrutínio sobre a responsabilidade corporativa em acidentes aéreos e enviar um sinal claro de que falhas sistêmicas não podem ficar sem punição. O veredito reforça a ideia de que governos e tribunais exigem padrões mais rigorosos de segurança, treinamento e transparência por parte de fabricantes e operadoras, especialmente em cenários de contorno climático complexo sobre o Atlântico.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Trump diz que Cuba está ‘caindo aos pedaços’ e não há necessidade de ‘escalada’

Resumo: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu segundo mandato, afirmou que não há necessidade de escalada contra Cuba, que estaria...

Vídeo: apresentador dispara tiro durante ‘treinamento’ ao vivo na TV estatal do Irã

Um apresentador da TV estatal do Irã disparou um fuzil ao vivo durante um treino exibido pela emissora Ofogh. A ação ocorreu na...

Ex-presidente cubano é indiciado pelos EUA pela derrubada de dois aviões em 1996

Os Estados Unidos indiciaram nesta quarta-feira o ex-presidente cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões no estreito da Flórida, em 1996. Castro,...