O presidente da China, Xi Jinping, viajará à Coreia do Norte na próxima semana, sua primeira visita ao país desde 2019, em uma tentativa de fortalecer laços com Pyongyang e influenciar a região diante das tensões com os EUA e as sanções internacionais.
A viagem de Estado está marcada para os dias 8 e 9 de junho e busca aprofundar vínculos bilaterais e promover a paz e a estabilidade regional. A China vê na visita uma oportunidade de manter sua influência sobre Pyongyang e proteger seus interesses estratégicos no nordeste da Ásia, disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, ressaltando que as relações entre China e RPDC permanecem sólidas e benéficas a ambos.
A visita ocorre poucas semanas após Xi receber, em rápida sucessão, o presidente dos EUA, Donald Trump, em seu segundo mandato, e o presidente russo, Vladimir Putin, em Pequim. A reunião com Trump e a proximidade com Moscou se alinham a uma visão de mundo multipolar, que resiste a pressões ocidentais, e marcaram a agenda internacional do líder chinês desde a pandemia.
Do lado norte-coreano, Kim Jong Un anunciou recentemente planos para fortalecer as Forças Nucleares, revelando uma nova instalação destinada a produzir material para armas nucleares, possivelmente um sistema de enriquecimento de urânio. Especialistas veem nisso uma forma de consolidar o status de potência nuclear e pressionar pela flexibilização de sanções. Alguns analistas sugerem que Kim pode buscar negociações com os EUA em troca de concessões, como redução de armamentos, cenário que se intensifica diante de uma diplomacia que falhou com Trump em 2019. Trump, em seu segundo mandato, mantém o desejo de retomar o diálogo com Kim, mas o líder norte-coreano insiste que Washington abandone a desnuclearização como condição prévia.
Analistas vão observar como a China equilibra a pressão internacional por desnuclearização. A aliança sino-russa já freou endurecimentos adicionais de sanções no Conselho de Segurança da ONU, e Xi e Kim já se encontraram em Pequim no ano passado, em que Kim participou de um desfile militar. A viagem reforça o papel de Pequim como mediador em um mundo cada vez mais multipolar.
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