Crítica | The Boroughs prova que os irmãos Duffer ainda sabem brincar com o estranho

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Netflix apresenta The Boroughs, série que leva o sobrenatural para a pacata cidade de aposentados no deserto do Novo México. Criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, com os irmãos Duffer como produtores executivos, a história acompanha Sam (interpretado por Alfred Molina), viúvo que se muda para a cidade após a esposa falecer. Em oito episódios, a tranquilidade local é abalada por mortes suspeitas, criaturas estranhas e uma conspiração que desafia moradores a enfrentar o inexplicável.

O elenco veterano, com Geena Davis, Alfre Woodard, Bill Pullman e Denis O’Hare, dá peso humano à trama. A série encontra uma linguagem própria ao misturar aventura, emoção e mistério, lembrando um filme de Spielberg que não se prende apenas ao desfecho, mas ao que o tempo reserva a quem já viveu muito.

O grande acerto é usar a velhice como motor da história, explorando lutos, solidão e a sensação de invisibilidade. O monstro não está apenas na escuridão, mas no tempo que passa, na perda de autonomia e na coragem de lutar contra o inexplicável, mesmo quando se tem mais histórias para contar.

Ainda assim, há momentos em que The Boroughs recorre a fórmulas conhecidas e ecos de Stranger Things, Dark ou Cocoon. Mesmo assim, o roteiro compensa ao privilegiar os personagens, o que confere à série uma singularidade rara no atual cenário de ficção científica.

Com oito episódios, a série estreia na Netflix em 2026, destacando-se como uma das apostas mais interessantes do ano. Não é o próximo Stranger Things, mas entrega emoção autêntica e uma abordagem humana do sobrenatural, mostrando que a aventura pode nascer dentro de quem já viveu muito.

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