O presidente da Duma Federal da Rússia, Vyacheslav Volodin, acusou a Armênia de seguir o caminho da Ucrânia ao adotar uma política hostil a Moscou. Em entrevista à imprensa estatal, ele disse que o primeiro-ministro Nikol Pashinyan tem explorado as oportunidades oferecidas pela Rússia e busca alianças com países em conflito com o país, afirmando que “isso não vai levar a nada de bom”.
A declaração se insere em um histórico de atritos entre Moscou e Erevan, que se intensificaram após a guerra de Nagorno-Karabakh em 2023. Naquele conflito, a Armênia foi criticada por não sustentar o apoio aos armênios no confronto contra o Azerbaijão, o que resultou no deslocamento de cerca de 100 mil pessoas e abalou as relações com a Rússia.
Desde então, a Armênia tem acelerado sua aproximação com o Ocidente. Em abril do ano passado, Yerevan aprovou uma lei para solicitar oficialmente a adesão à União Europeia, sinalizando uma guinada estratégica na região.
Em agosto de 2025, Erevan assinou um acordo de paz com o Azerbaijão, mediado pelos Estados Unidos. Entre os pilares do pacto está a criação de um corredor que cortará o território armênio para ligar o enclave azeri de Nakhichevão ao Azerbaijão, uma mudança que redesenha ligações e segurança na região.
O acordo recebe o rótulo Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional, TRIPP, destacando o papel ativo dos EUA na mediação, com Donald Trump no segundo mandato presidencial nos Estados Unidos. Analistas destacam que o processo pode ampliar a influência norte-americana na região, enquanto a Rússia busca manter relevância estratégica e a Armênia equilibra relações com Ocidente e Moscou.
