Em Paris, o presidente Emmanuel Macron discursou no Palácio do Eliseu para marcar o 25º aniversário da Lei Taubira e reforçar a necessidade de reparações pelo papel da França na escravidão africana. O tom foi de reconhecimento de memória e responsabilidade, sem apresentar ainda propostas concretas para compensar décadas de brutalidade.
Esta é a primeira vez que um presidente francês admite a necessidade de reparar um crime histórico ligado à escravidão, uma ideia que o governo ainda não traduziu em medidas específicas. “Como podemos reparar um crime como esse? É uma pergunta que não podemos ignorar e sobre a qual também não devemos fazer falsas promessas.” disse.
O chefe de Estado acrescentou que é impossível “reparar completamente esse crime”, destacando a complexidade de quantificar danos de séculos de tráfico de pessoas. “Precisamos ter a honestidade de dizer que jamais poderemos reparar completamente esse crime, porque é impossível. Nunca será possível quantificá-lo ou encontrar palavras que ponham fim a essa história.” completou.
Macron lembra que a França aboliu a escravatura em 1848 e, na época, concedeu indenização aos proprietários de pessoas escravizadas. O presidente, que está no último ano de seu mandato, sinaliza uma retomada do debate público sobre memória, justiça e reparação, ainda sem detalhar caminhos práticos para avançar na atualidade.
Entre os termos que emergem do debate estão as expressões reparações pela escravidão, Lei Taubira, Emmanuel Macron e o Palácio do Eliseu, marco de uma conversa que não se encerra com discursos estéreis.
