Belo Horizonte vive um momento de tensão política após áudios que associam o pré-candidato Flávio Bolsonaro a um banqueiro investigado por fraudes que somam mais de R$ 50 bilhões. O material mexe na corrida ao governo de Minas e abre espaço para leituras diferentes sobre alianças, incluindo a possibilidade de Cleitinho Azevedo (Republicanos) entrar na conversa para o Planalto, caso Flávio decida não concorrer.
A avaliação dentro do Republicanos, segundo o deputado Euclydes Pettersen, é que Cleitinho pode furar a bolha e alcançar eleitores que costumam votar na esquerda, mesmo em meio às denúncias. A leitura é de que ele tem potencial para ampliar o leque de apoio sem seguir o mesmo eixo tradicional da legenda.
No PL mineiro, a repercussão foi recebida como um sinal de desconforto. O pré-candidato ao Senado Domingos Sávio destacou que o partido responde pela legenda em Minas e que não cabe a ninguém outside do PL fazer interpretações sobre a disputa, enfatizando que o tema é internamente gerido pela sigla.
Diante do cenário nacional, o PL e o Republicanos já discutem uma aproximação que pode reservar duas vagas ao Senado para o PL. O acordo aponta Luiz Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, como possível vice na chapa para o governo mineiro, mantendo Domingos Sávio na cabeça de chapa e avaliando uma segunda vaga para alguém alinhado ao Centrão, como Marcelo Aro (PP).
Enquanto isso, o governador Mateus Simões (PSD) permanece esperançoso de que Cleitinho desista ou seja apoiado pela maioria. Simões cita que está com cerca de 11% de intenção de voto e compara o momento a uma eleição municipal de 2024, quando uma liderança pouco conhecida conseguiu se viabilizar, mostrando que tudo pode mudar até a contagem final. A proximidade com Romeu Zema (Novo) — que disputa votos na mesma faixa — e críticas públicas a Flávio Bolsonaro por sua relação com Vorcaro são fatores que podem influenciar a nossa leitura sobre o apoio ao PSD.
No radar nacional, o PSDB avança com a ideia de ter uma candidatura de centro. O ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire, tem conversas com Aécio Neves (PSDB-MG) para lançar uma alternativa centrada. A manobra busca atrair indecisos e eleitores que rejeitam Lula e o bolsonarismo, ampliando o espaço de um polo moderado no estado.
O cenário em Minas Gerais continua aberto, com o campo bolsonarista sob pressão, alianças em construção e a possibilidade de um centro sólido ganhando força. O desfecho dependerá de decisões rápidas e de novas leituras que surgirem nos próximos passos da campanha.
