Resumo: A Prefeitura de São Paulo destinou R$ 1,3 milhão à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalar 5.000 pontos de wi?fi livre em comunidades de baixa renda. O dinheiro foi repassado à Complexsys, empresa ligada a um dos dirigentes da própria ICB, levantando suspeitas de conflito de interesses.
Contexto da parceria: o convênio firmado em junho de 2024 previa que a Complexsys realizasse verificação, análise, validação e manutenção dos pontos de acesso. O contrato ficou assinado em agosto de 2024. Em dezembro do mesmo ano, já com Eduardo Franco como dirigente do ICB (ele atuaria na ONG desde novembro de 2024), ocorreram dois pagamentos à Complexsys, totalizando aproximadamente R$ 1,3 milhão (R$ 821 mil e R$ 480 mil).
Conflito de interesses e pagamentos seguintes: Franco era sócio da Complexsys desde a sua fundação, em 2019, e se afastou apenas em 27 de março de 2025. Mesmo com a dualidade, a ONG continuou transferindo recursos à empresa, chegando a R$ 4,1 milhões entre dezembro de 2024 e julho de 2025. A contratação foi aprovada na primeira prestação de contas, mas não há informações disponíveis sobre o desempenho ou as contas do período seguinte.
Investigação e irregularidades apontadas: a Polícia Civil de São Paulo investiga o ICB e a Complexsys por possíveis desvios de verba pública para financiar obras associadas ao filme Dark Horse, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Notas fiscais emitidas pela Complexsys no valor de R$ 2 milhões teriam sido canceladas no mesmo dia, mas usadas para justificar despesas na prestação de contas à Prefeitura.
Relações e vínculos adicionais: o ICB é presidido por Karina da Gama, ligada à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A reportagem também aponta que o ICB contratou, por meio de emenda parlamentar do deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dirigente da ANC para serviços de divulgação, com repasse à MM7, de Marcelo Machado — outro vínculo envolvendo Karina. Frias também figura como roteirista de Dark Horse, compartilhando a produção com Karina.
Reflexões finais: o caso reacende o debate sobre transparência no uso de verbas públicas por ONGs e sobre as pegadas éticas de parcerias entre dirigentes e fornecedores. As autoridades aguardam respostas das partes envolvidas e apuração detalhada das contratações e prestações de contas.
E você, o que pensa sobre essa rede de contratações entre ONGs, empresas ligadas a dirigentes e projetos culturais financiados com dinheiro público? Compartilhe sua opinião nos comentários e traga sua visão para o debate.
