Dudu revela: a Trump, Pix, terras raras, honra; a brasucas, espelhinho

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Os irmãos Bolsonaros estão dispostos a dar qualquer coisa a Donald Trump. É uma gente que sempre adapta Calderón de la Barca para o pior: “Ao rei tudo, a começar da honra”. Aceitariam sem resistir todas as suas imposições. E começariam entregando Pix, terras raras e o que mais pedisse aquele que consideram seu guia e senhor. Isso não é uma interpretação, mas um fato. Eduardo confessou tudo, de peito aberto. Concedeu uma entrevista à TMC 360 na quarta e chafurdou em si mesmo. Vou transcrever a sua fala para que não se venha com aquele papinho de “tiraram do contexto”.

Uma nota antes que prossiga: as entrevistas mais perigosas são exatamente aquelas em que o entrevistado tem certeza absoluta de que está protegido e de que não será confrontado com os fatos e com o seu passado. Os mecanismos de defesa ficam mais relaxados, e a pessoa se expõe ao maior de todos os perigos: a própria vaidade, ainda que o interlocutor o nine mais do que o objeto do desvelo do samba “Deixa eu Te Amar”, de Agepê…

Uma entrevista pode não ser só um jogo de vôlei, em que se dá uma cortada fulminante em bola levantada na rede. Pavão autocentrado, admirador da própria cauda, que tem por inigualável, Eduardo percebeu que não corria risco nenhum. Ocorre que ele tinha um inimigo a enfrentar, que o depenou: o próprio Eduardo.

Vou transcrever trechos da conversa.. Propôs-se ao entrevistado a seguinte pensatinha, seguida de uma indagação, que não chegava a ser fulminante, mas que levou o bruto à lona em razão da sua própria incompetência, não da contundência da pergunta:
“Deputado, para terminar a nossa conversa, acho que vale a gente falar rapidamente sobre esse tema, que é um recado para o pessoal do Corre. De certa forma, para todos os brasileiros, que é a questão do PIX. Muito se falou, né, que as empresas de cartão de crédito americanas estão por trás desses questionamentos tarifários, dessas tarifas que vão vir, né? A briga vem do ano passado. O senhor sabe muito bem que isso estourou no ano passado, né? E voltou agora a discussão. O Pix está ameaçado?”

Eduardo é o tipo de homem destemido que não hesita em dar mais um passo à beira do abismo. Respondeu o seguinte — e vou me ater ao que falou sobre tarifas e Pix, excluindo as mentiras sobre o STF, o governo Lula e as virtudes de papai:

“Felipe, Isso daí, né?, nós fizemos um pedido aos americanos para que qualquer tipo de tarifa ou retaliação nesse sentido comercial, que ela demorasse, que ela esperasse pelo menos até a eleição desse ano. Porque, se o Flávio Bolsonaro for eleito, teremos outra diretriz do governo federal.”

Que coisa… O pessoal “do corre” (!!!) deve ter adorado. Eduardo está a dizer que ele, seu irmão e Paulo Figueiredo, o “nepovéio da ditadura”, trataram, sim, das tarifas e que fizeram um pedido a Trump: Só puna o povo brasileiro caso Lula vença a eleição’. Então conviria esperar o pleito porque, afinal, se eleito, o entreguista vulgar estará disposto a fazer tudo o que o presidente norte-americano quiser.

Notem: não coloquei palavras na boca do rapaz. Como quem dissesse um “hoje (ontem) é quarta-feira”, ele deixa claro que um pré-candidato saiu aqui do Brasil para negociar punições contra a indústria brasileira, contra o agro brasileiro, contra o Pix brasileiro — e, veremos em outro texto, também contra o Judiciário — lá na Casa Branca.

Como ele não foi interrompido nem diante da barbaridade que falou, seguiu mergulhado na própria vaidade e encantado com a própria cauda.

PIX E ZELEE

“Agora, os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao PIX, como por exemplo, o Zelle, que é o PIX, dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos.
Dá para você sentar. Dá para negociar. Eles têm interesses onde as nossas economias se complementam, como, por exemplo, terras Raras, manganês, que os Estados Unidos importam 100% do manganês, e o Brasil é um grande produtor de manganês. Dá para a gente conversar e botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação contra qualquer meio que a gente utiliza aqui de pagamento. (…) E, ainda assim, nós levamos a mensagem aos Estados Unidos: ‘Por favor, não tarifa no Brasil’.”

VAMOS VER
Comecemos pela mentira. O “Zelle” não é o Pix dos Estados Unidos, a começar da gestão: privada num caso; pública no outro. A adesão dos bancos ao nosso sistema é universal e obrigatória; no caso do norte-americano, não. A funcionalidade é muito distinta, e aquele modelo não serve às operações de pessoas físicas com pessoas jurídicas — pagamento de compra, por exemplo.

Restringe-se à transferência entre indivíduos. Nota: por mês, segundo o BC, o Pix brasileiro movimenta até R$ 450 bilhões em compras online. Os cartões de crédito querem pegar Dudu no colo e deitá-lo no solo para fazê-lo feliz. Como no samba de Agepê…

Respondendo àquela indagação da TMC a Eduardo, que se seguiu à pensatinha: com Flávio, o Pix está ameaçado.

Na verdade, como se vê, já foi posto na bacia das almas da “negociação”. Eduardo topa receber um espelhinho e entregar ao novo colonizador as riquezas do país. Leiam ali o manganês… Em outro trecho da conversa — escreverei sobre —, isso vai ficar ainda mais claro.

Eduardo agora está nas redes sustentando que não disse o que disse. Mas ele… disse. Trump quer as nossas terras raras e o nosso Pix, e eles foram lá garantir as duas coisas caso Flávio seja eleito.

Espero que esse rapaz continue a dar outras entrevistas em que se sinta seguro. Ele pode, com efeito, ser protegido e preservado de muita coisa, mas, a exemplo de qualquer ser humano, só não consegue se proteger de si mesmo. E ele é quem é. Escrevi a respeito aqui no dia 2 e indaguei: “EUA e novo tarifaço: Flávio já prometeu dar o pix a Trump se vencer?” A pergunta era meramente retórica, e a resposta de Eduardo, que nada tem de retórica, é “sim”. CQD: Como Queríamos Demonstrar. O Brasil receberia um espelhinho em troca do Pix e das terras raras. E esses notáveis irmãos? Receberiam ou já receberam o quê?

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