Pular para o conteúdo

Morre aos 56 anos Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’

Morre aos 56 anos Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’
Morre aos 56 anos Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’

COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO

A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu de tristeza em Paris aos 56 anos, um ano após a morte do marido Mattias Ripa, deixando um legado que atravessa quadrinhos, cinema e ativismo pelos direitos humanos.

Naturalizada francesa em 2006 e exilada na França desde 1994, Satrapi ficou mundialmente conhecida pela autobiografia gráfica Persepolis, que retrata a juventude no Irã sob o regime dos aiatolás e a experiência de viver entre culturas.

Sua construção audiovisual ganhou projeção internacional quando Persepolis foi adaptada para o cinema em 2007, em parceria com Vincent Paronnaud. O filme concorreu ao Oscar de Melhor Filme de Animação e venceu o Prêmio do Júri em Cannes, reforçando a força de Satrapi em transformar a vivência iraniana em uma narrativa universal.

Satrapi também se posicionou como voz crítica frente às autoridades da República Islâmica. Em 2023, coordenou o livro Femme, vie, liberté (Mulher, Vida, Liberdade), que reuniu artistas que atuaram nos levantes de 2022 após o assassinato de Mahsa Amini. Em diversas entrevistas, destacou que a ditadura iraniana não mostra tudo o que ocorre no país.

Entre reconhecimentos, em 2024 Satrapi foi agraciada com o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, na Espanha, por ser “uma voz essencial na defesa dos direitos humanos e da liberdade”. No ano seguinte, recusou a Legião de Honra francesa para chamar a atenção à repressão no Irã e manter o foco em denúncias de violações. Em fevereiro deste ano, criou a Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, vinculada à Academia Francesa de Belas Artes, com a missão de apoiar estudantes estrangeiros que desejem estudar cinema em Paris.

A publicação de seu perfil nas redes sociais, marcada pela dor pela perda do marido, contrastava com o reconhecimento internacional de uma artista que manteve a voz ativa contra a opressão e pela defesa dos direitos humanos. Reações oficiais vieram de figuras como o presidente francês, que expressou condolências, destacando Satrapi como uma artista que transformou a experiência iraniana em uma fábula universal.

A influência de Satrapi permanece como uma lembrança potente de que a arte pode enfrentar regimes, inspirar debates e aproximar leitores e espectadores de histórias que muitas vezes ficam à margem. Qual obra dela mais tocou você e por quê? Compartilhe nos comentários e conte como a visão de Satrapi impactou sua percepção sobre cinema, política e liberdade.

COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO