Resumo rápido: a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada ao filme Dark Horse, lidera a Upcon ServiçOs Especializados, que recebeu emendas para obras na Bahia — incluindo 27 módulos sanitários em Camacan e um galpão industrial via Orçamento Secreto. As obras não avançaram, Karina saiu da sociedade após a repercussão, e a deputada Alice Portugal diz não ter ligação direta com os contratos.

A Upcon ServiçOs Especializados, pequena construtora de Salvador, chegou a assinar contratos vinculados a recursos públicos para obras na Bahia. A empresa é de Karina Gama, de 46 anos, e de Ademar de Sena Sampaio, um pastor evangélico de Brasília. Karina passou a integrar a sociedade em março de 2026, segundo a apuração, e revelou que deixou a empresa após a repercussão envolvendo o filme Dark Horse.
Em Camacan, no sul da Bahia, a Upcon firmou, em 28 de janeiro de 2025, um contrato de R$ 504,9 mil para a construção de 27 “módulos sanitários” em casas do bairro Portelinha — o que inclui áreas molhadas, cozinha, tanque de lavar roupas, caixa d’água e fossa. O acordo foi firmado entre o prefeito Paulo Cesar Bomfim de Oliveira, o Paulo do Gás (PSD), e o pastor Ademar de Sena Sampaio. A localidade tem IDH de 0,581, considerado baixo pela ONU.
A origem dos recursos é anterior a 2025: uma emenda da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) destinada já em 2021 para obras sanitárias, conforme apurado. Além disso, em 2023 Camacan recebeu R$ 674 mil em outra emenda — desta vez para a construção de um galpão industrial no distrito de São João da Panelinha. O contrato para o galpão, no valor total de R$ 990,3 mil, foi firmado em 2 de maio de 2023 entre Paulo do Gás e o pastor Sampaio; o dinheiro adicional veio da União (R$ 674 mil) e a prefeitura aportou R$ 315,4 mil.
O caso envolve o que ficou conhecido como Orçamento Secreto, uma emenda de relator destinada por RP-9, cujo padrinho real permanece oculto. Segundo a Transferegov, o percentual de execução da obra de Camacan permanece em 0%, com a tubulação da área sanitária ainda inativa, e a situação da empreitada é descrita como “apta a começar”.
Karina afirmou à coluna que ingressou na Upcon para “novos projetos privados” mas que saiu da sociedade após a repercussão pública. Em resposta, a deputada Alice Portugal disse não ter “qualquer ligação” com o contrato entre a prefeitura de Camacan e a Upcon. Portugal reconhece ter enviado R$ 500 mil para obras sanitárias, mas reforça que a contratação é de responsabilidade do Executivo municipal e que não conhece a empresa e seus sócios.
Como ponto de reflexão, esse caso mostra como recursos via emendas podem cruzar o espaço público com parcerias privadas, em meio a obras em municípios com condições socioeconômicas desafiadoras. E você, o que pensa sobre a transparência e a direção dessas emendas em localidades como Camacan? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo.
