Táxi aéreo investigado por tráfico recebeu R$ 244 mil de campanhas

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Uma empresa mineira de táxi aéreo, CNM Aviação, recebeu R$ 244 mil em campanhas eleitorais em 2022, em meio a denúncias de ligação com uma quadrilha de tráfico de cocaína liderada por Karina Campos. A proprietária Juliana Costa Nobre Magalhães é apontada como gerente-executiva do esquema, que envolve uso de aeronaves para facilitar atividades ilícitas e a gestão de um hangar ligado a operações criminosas.

CNM Aviação / Instagram
Hangar da CNM Aviação

Segundo o Ministério Público Federal, Karina Campos é considerada pela investigação a maior traficante de cocaína do país. Juliana foi presa preventivamente na operação Flight Level e, posteriormente, denunciada por formação de quadrilha. A acusação aponta que Juliana gerenciava os negócios da organização criminosa em nome de Karina, usando a CNM Aviação para manter vantagens econômicas associadas às atividades ilícitas.

A CNM Aviação teria aberto as portas em 2021, pouco depois da deflagração da Flight Level, ocupando o hangar que antes pertencia à BHZ Táxi Aéreo. A mesma estrutura foi, no passado, centro de apreensões de cocaína em Lisboa, reforçando os vínculos entre operações aéreas e o crime organizado. A investigação aponta que Juliana e o irmão de Karina teriam mantido o esquema pelo uso de documentos falsos e criação de empresas para mascarar as atividades.

No aspecto político-financeiro, a CNM recebeu em 2022 recursos de campanhas, com R$ 162 mil vindos da direção estadual do PSD de Minas Gerais e R$ 54 mil da campanha de Alexandre Kalil ao governo (na época filiado ao PSD; hoje está no PDT). A empresa também emitiu notas para o deputado Eros Biondini (PL) e, igualmente, para Chiara Biondini, filha dele. A matéria mostra que as transações ocorreram sem registro da CNM como operadora de aeronaves junto à ANAC para os dois jatos citados.

As notas fiscais mencionam voos com duas aeronaves: Cessna Citation II, prefixo PR-VIR, e Cessna Citation VII, prefixo PR-JAP. Em todos os casos, o operador registrado era a Heringer Táxi Aéreo Ltda., de São Luís (MA), não a CNM. Um dos voos de 2022 saiu de Belo Horizonte (Pampulha) para Montes Claros e retornou no dia seguinte, totalizando distâncias que não chegaram aos 1.200 km cobrados, configurando cobrança por km mínima superior à quilometragem efetiva.

Em outro episódio, o deputado Fred Costa (que arrendou uma aeronave de sua propriedade à CNM) receberia R$ 4 por quilômetro voado, com pagamento mínimo de R$ 30 mil mensais. O PSD afirmou que a contratação ocorreu após análise rigorosa e que não havia irregularidades à época, ressaltando que as operações estavam dentro da legalidade.

O Ministério Público Federal sustenta que Juliana ajudou a criar a CNM Aviação e a Táxi Aéreo para reativar o hangar associado à BHZ, mantendo ativos vinculados ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro. A denúncia aponta que os interesses ilícitos eram geridos por Karina e seus ligados, com Juliana oferecendo suporte institucional e estrutural à quadrilha.

E você, o que acha dessas relações entre empresas de transporte aéreo e organizações criminosas? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e ajude a ampliar o debate sobre transparência nas campanhas e na concessão de serviços de aviação.

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