A cinebiografia Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, pode ter a estreia adiada para depois das eleições de outubro, segundo a Go Up Entertainment. O projeto, orçado em cerca de R$ 75,1 milhões, envolve gravações nos EUA e Brasil e já mira uma janela de lançamento entre novembro e dezembro de 2026.
A possibilidade de atraso vem acompanhada de controvérsias sobre a divulgação e uso político da obra. O PT acionou o Ministério Público Eleitoral para avaliar eventuais efeitos eleitorais, enquanto a produtora adiou a comunicação da data de estreia para não parecer condicionada ao pleito.
Entre aliados de Flávio Bolsonaro, surgem dúvidas sobre o melhor momento para o lançamento. Uma das preocupações é evitar reacender discussões sobre a doação feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro à produção: a perícia aponta pelo menos R$ 61 milhões em aporte, com a possibilidade de R$ 134 milhões distribuídos em 14 parcelas.
A perícia da Go Up aponta que o custo total do filme foi de US$ 54,2 milhões nos EUA e US$ 20,9 milhões no Brasil, totalizando R$ 75,1 milhões. O relatório envolve ainda investigações sobre uma ONG contratada para a produção, ligada a suspeitas de desvio de verbas da prefeitura para o projeto.
Segundo documentos, a maior parcela das despesas brasileiras ocorreu por meio de transferências via Pix. O Havengate Development Fund LP coordenou a captação, com o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC atuando como agente legal. A Polícia Federal investiga se os recursos também financiaram a estada de Eduardo Bolsonaro nos EUA, residente no país desde fevereiro de 2025, e acusado de articular sanções contra autoridades brasileiras.
A perícia também detalha a origem dos recursos: os ingressos vinculados ao projeto são de origem privada, suportados por contratos de investimento, extratos bancários e outros registros. No conjunto, o relatório aponta uma complexa teia de financiamento entre EUA e Brasil, com fluxo de recursos sujeito a escrutínio de autoridades.
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