Petista preso que movimentou R$ 4 milhões declarou pobreza à Justiça

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São Paulo

Vereador Senival Moura (PT) é acusado de movimentar R$ 4,3 milhões em esquema ligado ao PCC; ele afirma não ter recursos para quitar dívida de IPTU

Reprodução
Imagem colorida do vereador Senival Moura, preso durante operação contra lavagem de dinheiro do PCC. Metrópoles

Resumo rápido: O vereador Senival Moura (PT), de São Paulo, é alvo de acusações de movimentar R$ 4,3 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Moura alega não ter condições de quitar uma dívida de IPTU de R$ 69 mil referente a um imóvel em Guaianases, entre 2006 e 2018, enquanto a investigação aponta seu papel na gestão de uma empresa de ônibus envolvida no esquema.

O caso ganhou notoriedade com a prisão do vereador na última quinta-feira (25/6), sob a acusação de ter movido os recursos por meio da Transunição Transportes S.A., empresa apontada pela Polícia Civil como fachada para lavar dinheiro de traficantes ligados ao PCC.

A defesa sustenta que Moura é pobre e não poderia arcar com a dívida de IPTU, cuja cobrança recai sobre um imóvel na zona leste. O município havia inscrito o bem na Dívida Ativa entre 2006 e 2018. Segundo a defesa, o imóvel fica em área sujeita a enchentes, o que, de acordo com a legislação municipal, poderia justificar isenção ou remissão, dependendo da interpretação da própria lei. A ação foi movida em maio de 2022, uma semana após o último pagamento da organização criminosa, conforme monitorado pela Polícia Civil.

Segundo a investigação, Moura exercia o que os investigadores chamam de “controle fático” sobre a Transunição, empresa escolhida para operar 50 linhas de ônibus na zona leste e ligada a uma estrutura financeira voltada à lavagem de dinheiro para o PCC. A polícia aponta Moura como o “principal responsável pela instrumentalização” da empresa.

A Transunição passou por mudanças societárias entre 2015 e 2019, com o capital social saltando de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, supostamente para viabilizar a concorrência pela concessão das linhas de ônibus na região.

A investigação também localizou planilhas que separavam os donos formais dos ônibus — os chamados “cooperados” — dos beneficiários econômicos reais, listados como “cooperados oficiais.” Em nota, o advogado de Moura negou participação em crimes e afirmou que a apuração demonstrará “a inexistência de qualquer conduta ilícita” por parte do vereador.

O processo segue em curso, com desdobramentos que mantêm em evidência as relações entre poder local e o transporte público. E você, qual a sua leitura sobre o caso? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.

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