Burkina Faso rompe relações com a França por “ambições imperialistas”

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Segundo governo de Burkina Faso, as condições para relações diplomáticas respeitosas com a França já não existem mais

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Stanislav Krasilnikov/RIA Novosti/Anadolu via Getty Images
Imagem colorida mostra o presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré - Metrópoles

Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França, acusando Paris de manter visões imperialistas e de apoiar insurgentes que atuam no Sahel. O anúncio foi feito pelo Ministério das Comunicações e aponta o momento em que o país rompe com o que chama de condições de cooperação baseadas no “respeito mútuo”. A medida insere Burkina Faso em um movimento regional de revisão de alianças, com a Rússia surgindo como uma opção entre as possibilidades estratégicas.

Em declaração oficial, o porta-voz do governo condenou o que descreve como ativismo de Estado da França contra os interesses de Burkina Faso, além de apontar apoio a redes subversivas e a grupos considerados terroristas. O texto também critica a forma como o país tem sido retratado pela mídia e pela comunidade internacional, reforçando a leitura de que não há equilíbrio possível nas relações com Paris.

“Este estado de fato traduz-se, entre outros, por um ativismo incessante do regime em vigor na França contra os interesses de Burkina Faso, por ambições neocoloniais exibidas com o apoio ativo a redes subversivas e a terroristas que enlutam o nosso país e o Sahel, e pela perfídia e parcialidade dos discursos e opiniões sobre o nosso país para torná-lo um pátria da comunidade internacional”, disse Ouedraogo em um trecho do anúncio.

O distanciamento entre Burkina Faso e a França não é novidade e se intensificou desde o golpe de 2022, que levou à cisão do governo anterior e permitiu a ascensão de Ibrahim Traoré. Em alinhamento regional, o país integrou, junto a Mali e Níger, a Aliança dos Estados do Sahel (AES), fortalecendo um eixo militar alternativo à influência francesa. A Rússia aparece como uma opção estratégica dentro desse redesenho de parcerias.

No contexto regional, a preocupação com a atuação de grupos extremistas, incluindo o Estado Islâmico, alimenta o debate sobre a presença de tropas estrangeiras na região. Ao longo dos últimos anos, várias nações africanas pediram a retirada de tropas francesas, sinalizando uma mudança de eixo na segurança do Sahel e a busca por respostas regionais para a violência e a instabilidade.

Assim, Burkina Faso deixa claro que está repensando seus laços de defesa e cooperação, buscando acordos que se alinhem às suas novas prioridades. Com a França fora do radar, o país mira em parceiros africanos e em potências além, como a Rússia, para consolidar sua soberania e segurança. E você, qual leitura faz dessa guinada no Sahel? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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