IA auxilia pesquisadores a ler papiro carbonizado pela erupção do Vesúvio

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Resumo: Pesquisadores, com apoio de inteligência artificial, leram virtualmente PHerc 1667, um pergaminho carbonizado de Herculano, revelando trechos sobre ética e filosofia estoica, possivelmente de Crísipo, com referências a Philodemus. O feito, realizado no âmbito do Vesuvius Challenge, marca avanço importante na leitura de papiros queimados.

O PHerc 1667 faz parte de uma coleção descoberta em uma vila romana perto de Nápoles, soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C. O pergaminho mede cerca de 8 cm de altura por 2 cm de largura e chegou aos pesquisadores extremamente fragilizado, já dividido em partes, o que dificultava sua manipulação física.

A leitura digital, liderada pela papirolo­gia Federica Nicolardi, da Università di Napoli Federico II, foi apontada como marco pelo projeto. Ela afirmou que, embora não haja o pergaminho inteiro, foi possível “virtualmente abri-lo por completo”, demonstrando a capacidade de recuperar objetos tão frágeis sem colocá-los em risco.

O PHerc 1667 integra o Vesuvius Challenge, iniciado em 2023, que premia equipes que utilizam IA para identificar tinta e fibras em imagens de raios X de papiros carbonizados. A iniciativa visa não apenas decifrar, mas interpretar o conteúdo recuperado, um desafio que mobiliza cientistas e programadores ao redor do mundo.

Entre os trechos recuperados, há referências ao pensamento estoico, com menção a impulso e sabedoria prática. O provável autor citado é Crísipo, figura central da escola estoica, enquanto surgem indícios de Philodemus, sugerindo que o rolo fazia parte de uma série ainda pouco conhecida. Em um fragmento, lê-se: inquiriremos algo, mas não o compreenderemos se nos afastarmos de nós mesmos e da nossa natureza.

Para o pesquisador Brent Seales, responsável pela parte tecnológica, o maior desafio agora é interpretar o conteúdo recuperado, indo além da simples decifração. Em suas palavras, resumiu o momento: Eu já venci o desafio máximo: esta é a minha vitória.

O avanço abre novas portas para a compreensão de textos antigos, oferecendo ferramentas seguras para museus, universidades e pesquisadores que lidam com papiros queimados, preservando o conteúdo sem comprometer a integridade física das peças.

E você, o que pensa sobre o papel da inteligência artificial na recuperação da nossa história? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre o futuro da leitura de manuscritos históricos.

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