Defensor público Rogério Borges Freitas foi afastado por 60 dias após denúncias de importunação sexual feitas por uma servidora, com relatos de episódios entre 2017 e 2019. A investigação ganhou novos desdobramentos com a denúncia de outra ex-servidora em 2023, e a Polícia Civil informou que os fatos estão sendo apurados com celeridade e imparcialidade pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
Em março, durante uma reunião para tratar de conflitos no setor, Freitas afirmou que a servidora possuía um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia”.
“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém”,
disse o defensor.
Logo depois, ele orienta que a servidora aceite as determinações da chefia sem resistência, enfatizando que, apesar do respeito, alguns comportamentos precisam ser ajustados.
Ao responder, a servidora relatou sofrimento psicológico decorrente do ambiente de trabalho, dizendo que passou a fazer acompanhamento psiquiátrico e psicológico e que estava sob medicação.
“Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade, de oposição, de rebeldia. Procura manter a submissão ali. Porque ali nós acolhemos você e abrimos as portas do setor. Eu tenho respeito e carinho por você, mas às vezes alguns comportamentos precisam ser ajustados.”
Em seguida, a servidora descreveu o impacto emocional, afirmando que tudo é abafado e que chegou a pensar em suicídio por conta das falas do superior.
Entenda a investigação começou após a denúncia da mulher registrada na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, em maio deste ano. A vítima diz que os episódios começaram em janeiro de 2017, quando o defensor teria oferecido carona e se jogado sobre ela dentro de um veículo para ajustar o cinto de segurança. Em janeiro de 2018, Freitas teria convidado a servidora para acompanhar uma atividade no gabinete e leu trechos da Bíblia para ela e para outro colega. Em julho de 2019, teria elevado o tom de voz e humilhado a servidora, exigindo tarefas para as quais não possuía capacitação técnica.
Outro caso: a apuração ganhou novos desdobramentos após outra ex-servidora registrar uma nova denúncia. Segundo o relato, após um velório ocorrido em 2023, o defensor teria permanecido por cerca de uma hora circulando de carro com ela, estacionando em local escuro e isolado, quando tentou beijá-la à força. A ex-servidora afirmou que suas atribuições foram gradualmente esvaziadas, com faltas indevidas lançadas no seu registro funcional. A exoneração ocorreu em fevereiro de 2024.
Em nota, a Polícia Civil confirmou que as investigações dos dois casos estão em tramitação na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, destacando que os fatos estão sendo apurados com rapidez e imparcialidade.
E você, qual a sua leitura sobre esses relatos e as implicações para quem atua no serviço público? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe da conversa.

