Conheça Eugênio Giovenardi, ecossociológo e guardião do Cerrado, que transformou o Sítio das Neves, próximo à BR-060, em Brasília, de uma área degradada a um exemplo vivo de conservação. Em 2023, a região tornou-se a primeira área de Cerrado do DF a receber reserva particular do patrimônio nacional em caráter perpétuo. Hoje, aos 92 anos, Giovenardi celebra a vitória da água bem gerida sobre a poeira e a estiagem.
A trajetória começou em 1974, quando Eugênio, a esposa Hilkka Mäki e a filha Aino Alexandra chegaram à região. O local, ainda conhecido como Neves, estava abandonado, castigado pela seca e pelo manejo inadequado. Ao ler Os Sertões, Euclides da Cunha, ele entendeu que água da chuva podia salvar o Cerrado. A partir daí, criou oito canais de drenagem e pequenas barragens, nascentes a cada cinco metros, conectando cursos d’água e formando um caminho que recarregou aquíferos, devolvendo vida ao ambiente.
Com o tempo, a área recuperou nascentes que voltaram a fluir na estação seca. Hoje o Sítio das Neves abriga mais de 360 espécies vegetais, entre árvores, frutíferas e gramíneas, além de uma fauna diversa, com tamanduá-bandeira, ariranha, paca e bugio. Em 2023, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Secretaria do Meio Ambiente do DF reconheceram o local como a primeira área de Cerrado do DF em reserva particular do patrimônio nacional, em caráter perpétuo.
“A água faz parte da vida, pois foi da água que nascemos. A natureza é a casa de todos os seres vivos”, ensina Eugênio. Hoje, ele soma 32 livros publicados e permanece ativo como guardião do Cerrado, lembrando que o desafio não é apenas a lei, mas a prática de conservar o bioma a cada gesto, cada ação, no dia a dia.





Quiseram os deuses da floresta que o mês do Meio Ambiente — em 2026, de seca “chuvosa” no Distrito Federal — fosse celebrado no mesmo junho em que nasceu Eugênio Giovenardi. O protetor do bioma tipicamente brasiliense completa 92 anos neste domingo (28/6), recebendo como presente a conservação de um ecossistema que quase perdeu a água.
Emoção, propósito e ciência se cruzam na vida de Giovenardi, cuja trajetória como ex-seminarista, escritor, filósofo, teólogo e ecossociológo moldou uma verdadeira revolução ecológica ao longo de décadas no Sítio das Neves.
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