Copa: Fifa tem histórico de relação próxima com governos autoritários

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Resumo: a Copa do Mundo sempre foi muito mais que uma disputa de futebol. Em diversas ocasiões, governos autoritários usaram o torneio para projetar poder, reforçar identidades nacionais e buscar legitimação internacional. A FIFA, por sua vez, apresenta uma relação ambígua com esses regimes: apoio estratégico, investimentos maciços e decisões ágeis, mesmo quando surgem denúncias de violações de direitos humanos.

A Copa como ferramenta de poder não é novidade. Por trás dos estádios lotados e da euforia das torcidas, há uma prática de consolidar prestígio internacional e, ao mesmo tempo, domesticar a agenda política do país-sede. Grandes seleções atraem milhões de olhos e ajudam a moldar narrativas de liderança, estabilidade e modernização — mesmo se houver críticas sobre censura, repressão ou impactos sociais.

Mussolini e a Copa de 1934: na Itália fascista, o torneio foi moldado como vitrine de propaganda. O governo investiu pesado na organização e usou a conquista esportiva para exaltar o regime, com indícios de interferência política na arbitragem e avaliações de quem dirigia o evento. O próprio presidente da FIFA da época, Jules Rimet, admitiu, anos depois, ter a impressão de que o torneio teve forte participação governamental.

A Copa em meio ao terror argentino: em 1978, a Argentina sediou o Mundial durante uma ditadura militar. Enquanto as partidas animavam estádios lotados, prisões, torturas e desaparecimentos marcavam a realidade de milhares. A competição enfrentou pressões internacionais para boicote, mas a FIFA manteve o torneio, crescendo o contraste entre a festa nos estádios e a violência fora deles.

Modus operandi: a relação entre a FIFA e governos autoritários não se restringe ao século passado. Em 2018, a Copa foi sediada na Rússia, sob críticas a respeito de perseguição de opositores e restrições a liberdades. Mesmo assim, o evento foi utilizado para projetar uma imagem de poder e recebeu reconhecimento diplomático, incluindo honrarias concedidas pelo governo russo.

A Copa de 2026 reacende o debate ao ampliar a presença norte-americana — 75% dos jogos ocorrem no continente — com a organização compartilhada entre Estados Unidos, Canadá e México. A proximidade entre dirigentes de ponta e o governo dos EUA, especialmente a relação entre Gianni Infantino e Donald Trump, chamou atenção. A FIFA adaptou-se a regras de imigração mais rígidas e enfrentou incidentes como a recusa de entrada de árbitro somali Omar Artan, considerado um episódio lamentável pela entidade.

Direitos humanos versus interesses comerciais. Em 2017, a FIFA estabeleceu uma Política de Direitos Humanos, mas organizações como a Human Rights Watch contestam a aplicação prática desses princípios, apontando que decisões sobre sedes de Copas futuras nem sempre refletem critérios de proteção de direitos humanos, abrindo espaço para que governos com más notas em direitos humanos usem o futebol como elo internacional.

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E você, o quanto avalia que o futebol pode, ao mesmo tempo, aproximar pessoas e justificar escolhas políticas? Deixe seu comentário com a sua leitura sobre o papel da FIFA e dos governos na história das Copas — e como você enxerga esse equilíbrio na edição de 2026 e além.

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