Resumo rápido: CBV aprova nova Política de Elegibilidade para a categoria feminina; Tifanny Abreu critica a medida, classifica como retrocesso e afirma que lutará para permanecer no esporte. Ocorrência em Osasco, após derrota do Osasco para o Pinheiros no Campeonato Paulista; impacto envolve clube, torcida e atletas trans.
Palavras-chave: CBV, política de elegibilidade, Tifanny Abreu, Osasco, Campeonato Paulista, retrocesso, atletas trans, SRY, COI.
Contexto: mudança normativa discutida envolve critérios de participação e uso de testes genéticos para definir categorias.
Impacto esperado: consequências para clubes, patrocinadores e para o movimento de inclusão no voleibol.
Osasco, SP – Em Osasco, na estreia do Campeonato Paulista, a derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 a 2 abriu o debate sobre a nova política da CBV que restringe a participação de atletas trans na categoria feminina.
A jogadora Tifanny Abreu, 41 anos, afirmou estar liberada para disputar o estadual porque o torneio teve início antes da publicação da nova regra, mantendo as condições vigentes no início da competição.
“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem. Isso não afeta somente a mim. Afeta meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim, o direito de todas as pessoas trans”.
Ela acrescentou que a mudança representa “um enorme retrocesso” na luta pelo reconhecimento e inclusão, comparando a prática a métodos de verificação de sexo usados nos anos 60 e 70. “Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais”, completou.
A atleta também indicou que pretende buscar medidas para contestar a decisão, afirmando: “Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenha sido em vão”.
NOVA REGRA DA CBV Publicada na última sexta-feira (14), a nova Política de Elegibilidade de Atletas para as Competições da Categoria Feminina no Voleibol revoga a norma anterior para atletas trans. A entidade afirma que a mudança segue as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do cenário regulatório internacional da modalidade.
Conforme o regulamento, a participação na categoria feminina fica restrita a atletas consideradas de sexo biológico feminino. A identidade de gênero, documentos civis, tratamento hormonal, supressão de testosterona ou cirurgia deixam de ser considerados suficientes para alterar a elegibilidade esportiva.
Para confirmar essa condição, a CBV adotará a triagem do gene SRY. Atletas com resultado negativo serão consideradas elegíveis para o feminino. Já as com resultado positivo não poderão ocupar vagas da categoria feminina, com exceções.
Resumo: Nova regulamentação da CBV restringe a participação de atletas trans XY com SRY positivo na categoria feminina. A norma entra em vigor em 2026/27 para ligas nacionais; Tifanny, jogadora do Osasco, permanece apta no Paulista de 2026, com apoio do clube. O debate evidencia inclusão versus regras técnicas no voleibol brasileiro.
Nova regulamentação da CBV estabelece que atletas trans XY com resultado SRY positivo não poderão competir na categoria feminina. A medida, divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), permite deslocamento para a categoria masculina se os demais requisitos forem atendidos.
A norma entra em vigor para as principais competições da temporada 2026/27, incluindo Superliga A e B 2026/27, Supercopa do Brasil 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Adulto 2027 e CBVP Challenger 2027, além das edições seguintes. A recusa em realizar o teste não configura infração disciplinar; porém, sem a comprovação exigida, a atleta não poderá competir na categoria feminina.
Tifanny atua no voleibol feminino desde 2017 e ficou marcada por ser a primeira mulher trans a disputar a Superliga Feminina. Defende o Osasco desde 2021 e, entre títulos, conquistou a Superliga na temporada 2024/25. A nova regulamentação surge em meio a esse legado e ao avanço do debate sobre inclusão no esporte.
Quem é Tifanny? é a pergunta que guia a apresentação: ela atua no voleibol feminino desde 2017 e, ao longo de sua trajetória, tornou-se referência por romper barreiras. Desde 2021 veste as cores do Osasco e, até aqui, coleciona títulos, incluindo a conquista da Superliga 2024/25. A temporada 2026/27 parece, para ela, uma das últimas da carreira, com perspectivas de aposentadoria.
Reação do Osasco não se fez esperar. Após a publicação da norma, o clube afirmou ter ficado surpreso com a decisão, disse não ter participado da elaboração da política e acionou seu departamento jurídico para avaliar os próximos passos. A equipe reiterou apoio à jogadora e lembrou o histórico de desempenho de Tifanny.
Abertura do Paulista contou com apoio da torcida. Na estreia do Campeonato Paulista, Tifanny recebeu aplausos no Ginásio José Liberatti, com torcedores gritando seu nome e exibindo manifestações de apoio na partida contra o Pinheiros.
Contexto e impacto da decisão envolve a regulamentação de atletas trans no voleibol de alto rendimento. A FPV manteve, no início do Estadual de 2026, as normas vigentes, sinalizando que mudanças futuras serão avaliadas para as próximas edições.
Carreira de Tifanny tem sido marcada por avanços para atletas trans no esporte brasileiro desde 2017. Se confirmar a aposentadoria anunciada, a jogadora deixa um legado de inclusão, ao lado de resultados expressivos como o título da Superliga 2024/25.
