Nova pesquisa Datafolha, realizada com 1.898 eleitores de 20 anos ou mais em 139 cidades, entre 17 e 18 de junho, mostra que o esquecimento político é maior para cargos legislativos do que para o cargo de presidente. O levantamento indica que a maioria não lembra em quem votou há quatro anos para deputado federal, senador e deputado estadual, reforçando a ideia de alienação cada vez mais presente no eleitorado.

Ao perguntar se o eleitor lembra do nome de algum parlamentar em atividade no Congresso, o Datafolha constatou grande lacuna de memória: 36% não lembraram de nenhum deputado federal e 32% afirmaram não saber. Entre os 513 deputados, apenas 6 foram citados. O mais lembrado foi Nikolas Ferreira (PL-MG), com 6%, seguido de Erika Hilton (PSOL-SP), com 4%.
Para os senadores, 40% não lembraram de nenhum nome e 35% disseram não saber. Dos 81 titulares do Senado, 15 foram lembrados. Entre eles, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em primeiro lugar com 3%, enquanto Romário (2%), Cleitinho (2%) e Sérgio Moro (2%) aparecem empatados em segundo.
A ausência de memória sobre o voto legislativo é maior entre as mulheres (75% para o Senado e 74% para deputados) e entre eleitores com tendência PT (70% para o Senado e 69% para deputados). Já entre os homens, o índice é menor (59% para deputados e 56% para senadores).
Quanto ao voto presidencial de 2022, apenas 7% não lembram em quem votaram. Em relação ao governador, mais de um terço da população diz não se recordar da escolha naquele ano: 38% não lembram o voto para o Executivo estadual, 9% afirmam não ter votado em ninguém e 54% dizem lembrar da decisão.
A pesquisa destaca o pano de fundo da polarização entre Lula e Bolsonaro nas eleições passadas, com vitória de Lula por 50,9% a 49,1%. O texto ainda cita que Bolsonaro, mais tarde, tentou um golpe; e que, uma vez condenado, estaria preso e inelegível até 2060. A leitura sugere que parte do eleitorado pode ter menor memória de escolhas recentes.
E você, qual fator você acredita que mais influencia a lembrança das suas escolhas eleitorais? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre memória política e participação cívica no Brasil.
