Sanções dos EUA atingiram Victor Henrique de Oliveira Shimada e empresas ligadas a uma rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC, com atuação entre a Flórida e São Paulo. A investigação aponta a movimentação de cerca de US$ 30 milhões, majoritariamente em criptomoedas, para ocultar a origem ilícita. No Brasil, Shimada foi absolvido de uma acusação de furto de R$ 35 milhões, mas condenado a 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro, respondendo em liberdade ao processo.
Crime transnacional
A sanção dos EUA resulta de apurações do FBI, do Departamento de Justiça (DOJ) e de uma força-tarefa do DHS. Segundo o comunicado, Shimada atuaria como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, lavado cerca de US$ 30 milhões vindos de atividades criminosas em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para enviar os recursos ao Brasil.
“Esse papo vai dar FBI, mano. Os caras estão investigando pesado. Eu vou mandar pra eles… Hoje o menino tava no advogado. Vou mandar tudo pra segurar. Porque, mano, meus trampos que eu tenho… Tá mano, deu uma travada, meus trampos de wire, minhas coisas lá dos tokens, entendeu? Que eu tiro muito cash porque eu vou colocando na conta. Nas minhas contas é muito dinheiro que entra lá de dólar, entendeu? Só que fica tudo rastreado, fica tudo vinculado.”
Entre as mensagens, Shimada cita negócios não apenas nos EUA, mas também na Colômbia e no México, mencionando operações com Bitso — descrita como mexicana — e o uso de USDC para pagamentos. As comunicações indicam uma rede que atuaria de forma transnacional, com o objetivo de ocultar o fluxo financeiro.
“O que eu soltei pra fora, que eu fui sacando e tal, Colômbia, Estados Unidos, vai voltar tudo. [… ] Os caras tão numa investigação pesada, mano. Sabe por quê? O que que acontece? A Bitso é mexicana. E ela é envolvida lá no México inaudível. Certo? Como eu faço pagamento nos Estados Unidos, troco de USDC. Irmão, o negócio é federal lá com os caras, entendeu? Por isso que eu vim pra cá também. Eu saí um pouco do Brasil, vim aqui ver minhas ordens que tá travada. Vou até o México, se pá, vou falar com os caras lá. [… ] Os caras já tão rastreando tudo, mano. Seria bom até trocar de wallet, as coisas lá, falar pro teu patrão que os cara vão puxar tudo.”
No caso do furto em que Shimada foi absolvido, ele teria transferido R$ 35 milhões de uma conta do Banco Votorantim para outra, em nome da empresa Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda (Victory Trading). A mesma empresa também foi alvo da sanção do governo de Donald Trump.
Segundo a sentença, a ação ocorreu por meio de 2.799 transferências em 11 horas. A defesa afirmou que pretende recorrer da decisão.
Relação com Corinthians
Sem citar nominalmente o Corinthians, o governo americano lembrou que Shimada, dono da Victory Trading, foi preso pela PF em janeiro de 2025 por lavar dinheiro ilícito de um patrocínio de clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento. Ele foi solto duas semanas depois. A investigação envolveu, ainda, a participação da PF e de agências internacionais, por tratar-se de uma rede transnacional.
As investigações sobre lavagem de dinheiro no clube paulista tiveram origem na delação de Antônio Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto de Guarulhos. A Victory Trading era usada como intermediária para dificultar o rastreio dos valores.
Alvos de sanção dos EUA nesta terça-feira (1º/7) incluem Victor Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda (Portugal).
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