“Dono” de firma que pagou R$ 700 mil a ministra do STM diz ser laranja

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Reprodução/STM
Imagem colorida de Verônica Sterman, nova ministra do STM

Resumo: No fim de 2024, o escritório da ministra Verônica Sterman recebeu R$ 700 mil da ACX ITC. Em janeiro, o suposto dono da empresa admitiu à Polícia Civil de São Paulo ser apenas um “laranja” que vendeu dados por R$ 5 mil para abrir o CNPJ. As investigações — acompanhadas pela CPMI do INSS e pela Polícia Civil — apontam fortes indícios de ligação com lavagem de dinheiro e com estruturas ligadas ao crime organizado, com vínculos a empresas já sancionadas nos EUA.

A ACX ITC aparece no relatório da CPMI do INSS como parte de uma complexa rede de mais de 40 firmas que, segundo o levantamento, movimentou quase R$ 39 bilhões. No caso específico, o pagamento a Sterman ocorreu em uma única parcela, feito por meio de uma conta no Banco do Brasil em São Caetano do Sul, relacionado a três pareceres jurídicos sobre temas criminais vinculados à empresa.

Outra frente envolve o ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro: a ACX ITC teria desembolsado cerca de R$ 595 mil ao escritório dele, distribuídos em três lançamentos entre outubro de 2023 e outubro de 2024, além de um cheque de R$ 150 mil. Cordeiro afirmou à imprensa que os pagamentos foram por serviços em ações já encerradas e disse não conhecer o empresário Ericsson de Azevedo — apontado como o “laranja” nas apurações.

O delegado responsável pela Saturno, investigação da Polícia Civil de São Paulo deflagrada em outubro de 2025, descreve a ACX ITC como participante de uma rede com “fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico”. O relatório final aponta que a rede movimentou R$ 918,3 milhões e aparece nos RIFs como provável estrutura voltada à ocultação e dissimulação de valores ilícitos. A ACX ITC também está ligada à Victory Trading, empresa sancionada pelos EUA por supostas ligações com o PCC. A promotora do MPSP Ana Carolina Welligton Costa Gomes sugeriu encaminhar o caso à Justiça Federal, destacando que parte expressiva dos investigados já responde a investigações federais.

O panorama aponta ainda que cerca de 95% dos investigados já figuram em apurações sob a Justiça Federal, com crimes financeiros, lavagem de capitais e fraudes de alcance interestadual. A investigação envolve a Arpar Participações e Empreendimentos, controla pela figura conhecida como “Careca do INSS”, e aponta a ACX ITC como parte de um conjunto de empresas que operam por meio de estruturas opacas. Com o desfecho da Saturno, a linha de apuração segue para a Justiça Federal, integrando o mosaico de casos em curso no país.

E você, o que pensa sobre a combinação de consultoria jurídica, repasses financeiros atrelados a empresas de tecnologia e redes de empresas envolvidas em operações financeiras sob suspeita? Compartilhe sua opinião nos comentários e contribua com o debate sobre transparência e fiscalização nesses casos.

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