Wally Funk, uma das pilotos mais relevantes da sua geração, encerra um capítulo de lôbrego atraso e sonho realizado: aos 87 anos, faleceu em Grapevine, Texas. Mulheres que desafiaram limitações, como Funk, abriram caminho para que o espaço deixasse de ser privilégio de poucos.
Nos anos 1960, Funk integrou um grupo de 25 mulheres submetidas a testes físicos e psicológicos para avaliar a reação feminina às missões espaciais. Deste grupo, reduzido a 13, ficou conhecido como Mercury 13; Funk foi a única aviadora do elenco a ser aprovada em todos os exames. Enquanto isso, a NASA selecionava apenas sete homens, os Mercury Seven, para compor a primeira turma de astronautas, em meio à hesitação institucional de se assumir riscos com mulheres no espaço.

Ao longo das décadas, o sonho de Funk de entrar para a NASA não se concretizou. A agência só abriu as portas para mulheres em 1978, quando ela já tinha 39 anos. Enquanto Sally Ride se tornou a primeira estadunidense a viajar ao espaço (em 1983) e Valentina Tereshkova já havia voado sozinha em 1963, Funk manteve-se ligada à aviação: atuou como instrutora de voo, investigadora de acidentes e, mais tarde, tornou-se a primeira mulher a integrar a FAA e, posteriormente, o Conselho Nacional de Segurança aos Transportes (NTSB).
Ao longo de sua carreira, Funk acumulou mais de 19 mil horas de voo, teve uma escola de aviação em Taos (Novo México) e pilotou aviões bimotor de passageiros pela Sierra Pacific Airlines. Também participou das tradicionais Powder Puff Derby, corridas aéreas femininas transcontinentais. Em sua autobiografia, Higher Faster Longer (com Loretta Hall), ela reforça a paixão pela aviação desde a juventude.
O reconhecimento não veio de imediato. Funk recebeu, porém, importantes homenagens ao longo dos anos: em 1995 ingressou no Women in Aviation International Pioneer Hall of Fame e, em 2017, integrou o Wall of Honor do Museu Nacional do Ar e do Espaço, em Washington.
A guinada ocorreu em julho de 2021, quando Funk, então com 82 anos, realizou um voo suborbital a bordo do New Shepard, da Blue Origin, empresa de turismo espacial criada por Jeff Bezos. Junto dela, estavam Bezos, seu irmão Mark Bezos e um jovem físico. A passagem ultrapassou a linha de 100 quilômetros de altitude, marcando a conquista de Funk de ir ao espaço mesmo após décadas de tentativas.
Depois da missão, Funk descreveu a experiência como uma visão que valia a pena, ainda que tenha ficado aquém do suposto ideal de alcançar o espaço definitivo. O recorde de viajante mais velho foi superado meses depois por William Shatner (em 2021), e, em 2024, Ed Dwight tornou-se o detentor atual do título, todos em trajetórias que moldaram a visão de inclusão da exploração espacial.
Nascida em 1º de fevereiro de 1939, em Las Vegas, mas criada em Taos, Funk teve a vida marcada pela liberdade de aprendizado proporcionada pela família local: desde cedo, aprendeu a pescar, caçar e sobreviver na natureza, influências que ela creditou como motor de sua paixão pela aviação. Formou-se em Stephens College e na Oklahoma State University, onde mergulhou na escola de aviação, tornando-se instrutora na base de Fort Sill, antes de trilhar uma carreira que mudaria o curso de muitas gerações de aviadoras.
Seus feitos e sua visão continuam a inspirar futuras gerações. E você, o que acha da história de Funk e do papel das mulheres na conquista do espaço? Compartilhe suas impressões nos comentários e participe desta conversa sobre coragem, tecnologia e legado feminino na aviação.
