Taguatinga vive o dia a dia de uma cidade grande: comércio, ruas movimentadas, obras que mudam o ritmo local e, acima de tudo, desafios de segurança e de planejamento urbano. Especialistas e um observador histórico da região destacam os principais entraves que afetam a qualidade de vida e o cotidiano de quem mora na área.
A população de Taguatinga chega a 201.332 pessoas, segundo a PDAD-A 2024. Dados da SSP-DF apontam, ainda, 100 furtos a pedestres no primeiro semestre de 2026, sinalizando um recrudescimento da criminalidade no centro da cidade e áreas adjacentes.
Geraldo Nugoli, delegado aposentado que atuou na região por mais de 30 anos, relata que, após o fechamento de comércios do centro por obras do Túnel Rei Pelé, usuários de drogas passaram a dominar o espaço. “É impossível andar à noite por ali”, afirmou. Para ele, o consumo de drogas alimenta furtos diários, gerando grande revolta na população e aumentando o sentimento de insegurança.






Pioneiro da região, Ronaldo Seggiaro aponta que Taguatinga perdeu investimentos ao longo das décadas, com a última grande obra pública estruturante já distante no tempo. Ele citou o HRT como marco de há mais de 50 anos e avaliou que o Túnel de Taguatinga — Rei Pelé —, hoje, atende principalmente o fluxo entre Samambaia e Ceilândia, tornando a cidade apenas um ponto de passagem e não um polo de desenvolvimento.
Ao caminhar pelo centro, Seggiaro observa o fechamento de vários estabelecimentos e o declínio da vitalidade local. “Nós, cidadãos e pioneiros, continuaremos lutando pela atenção que nossa cidade merece. Taguatinga exige e merece respeito”, disse, enfatizando a necessidade de ações que vão além de obras pontuais.
Riezo Almeida, professor de economia da UnDF, reforça que a cidade não perde força econômica, mas passa por uma transformação estrutural que desafia o comerciante tradicional diante de shoppings e projetos planejados em cidades vizinhas como Águas Claras.
Sobre o Centrad, o governo sinaliza uma direção de ocupação gradual. Em fase inicial, cinco blocos devem ser ocupados, com metas de atender parte relevante da administração pública, reduzindo gastos com aluguel de prédios alugados e melhorando a integração entre órgãos. O complexo oferece dezenas de vagas, incluindo até 1 mil vagas cobertas e 5 mil a céu aberto, com planos para ampliar a ocupação e melhorar a infraestrutura.
Mais detalhes da transformação: a Secretaria de Obras seria a primeira a mudar, seguida por Seduh, Semob, DF Legal, Casa Civil, Casa Militar e o gabinete da governadora. As obras incluem melhorias de impermeabilização, pintura e troca de pisos, com estimativas de até 1,8 milhão de reais por prédio para manutenções e reformas. A ocupação busca reduzir custos, ampliar a função pública integrada e reduzir o aluguel de imóveis.
Especialistas também ressaltam que a mudança exige planejamento rigoroso, coordenação entre dezenas de órgãos e investimentos significativos para migração de sistemas, transporte de equipamentos e adaptação de espaços. A pergunta que fica é: quem assumir o GDF precisará responder rapidamente se a ocupação do Centrad realmente entregará uma administração pública mais eficiente e transparente.
E você, o que acha dos desafios de Taguatinga e do plano para transformar o Centrad? Compartilhe sua visão nos comentários e diga quais soluções você acredita que podem fazer a diferença no dia a dia da região.
