PF deflagra operação envolvendo Conafer; desvio de recursos do INSS passa a ser investigado com frota de carros de luxo e empresas de fachada
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto para apurar desvios de recursos do INSS pela Conafer, entidade suspeita de envolvimento em descontos indevidos de benefícios. A PF aponta que o esquema resultou em desvios superiores a R$ 708 milhões com a criação de empresas de fachada e aquisições de bens de alto valor, incluindo uma frota de veículos de luxo adquiridos com recursos desviados.
A investigação descreve um modus operandi complexo, com pagamentos vinculados a benefícios de idosos e comunidades vulneráveis, canalizados para empresas sediadas no Distrito Federal (DF) e em São Paulo (SP). Entre os veículos citados como parte dessas aquisições estão Porsche 718 Boxster, BMW X5, Ford Mustang e Land Rover Defender, comprados em nome de laranjas e utilizados para fins de ostentação.
Em registros apreendidos, a PF identificou uma sede operante em um sobrado de cerca de 20 metros quadrados no Recanto das Emas (DF), que, segundo as investigações, também concentrava outros oito CNPJs vinculados a Lucineide dos Santos Oliveira e a integrantes da Conafer. Parte da frota de veículos era mantida em um galpão em Presidente Prudente (SP), configurando o que a PF descreve como núcleo logístico da organização.

A ação também envolve a apreensão de caminhões VW Meteor e Ford Cargo em propriedades rurais de luxo, além de indicar tentativas de venda clandestina de aeronaves executivas, com valores avaliados em milhões de reais, movidas para integrantes que atuariam como novos laranjas para evitar o confisco.
Em diálogo interceptado pela PF, surgem evidências de ostentação associada à liderança da Conafer. Em uma conversa, o operador menciona que havia interesse em um veículo ainda mais potente do que um Audi RS4 Avant, de modo a impressionar em visitas a locais frequentados pela organização.

No âmbito da investigação, a Polícia Federal descreve a Conafer como organização criminosa estruturada, com divisão hierárquica e núcleos de atuação. O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, também é indiciado, juntamente de outros assessores e integrantes da rede, com imputações de corrupção e participação em organização criminosa. Planilhas de propina reunidas durante as diligências indicam pagamentos que teriam correspondência com transferências bancárias analisadas pela PF.
Além disso, investigações apontam que o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, teria recebido pelo menos R$ 6,5 milhões em propina, com o recebimento faturado por meio de uma concessionária em Goiânia (GO) e entregue na residência de Curitiba. O ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, estaria ligado a recebimentos de aproximadamente R$ 3,4 milhões. A PF informa que, em Brasília, os autos apontaram a existência de um galpão onde parte dos veículos permanecia sob guarda, reforçando a estratégia de ostentação para a organização.
Com a deflagração das fases da Operação Sem Desconto, a Justiça determinou o sequestro de bens e o bloqueio via Renajud de dezenas de veículos. A PF também identificou ações envolvendo fazendas de luxo em Minas Gerais e a pretensa venda de aeronaves executivas, com o objetivo de transferir os ativos para novos laranjas e evitar confiscos.
A apuração, que contou com reportagens anteriores do Metrópoles desde dezembro de 2023, resultou na abertura de inquérito pela PF e no encaminhamento de dados à Controladoria-Geral da União (CGU). Em sequência, o material é enviado ao ministro do STF André Mendonça para encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar eventual denúncia.
Saiba abaixo alguns dos indiciados listados pela PF:
- Abraão Lincoln Ferreira da Cruz;
- Carlos Roberto Ferreira Lopes;
- Cícero Marcelino de Souza Santos;
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
A PF deve continuar as investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo outras associações e novos suspeitos, com o objetivo de esclarecer a extensão do esquema e as respectivas responsabilidades.
