A defesa da soberania deve ser um dos principais pilares da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme avaliação de integrantes da pré-campanha e do Palácio do Planalto. Nesta semana, o Brasil voltou a enfrentar uma rodada de tarifas por parte dos Estados Unidos, o que acirrou o debate sobre a posição do país no cenário internacional e seu impacto econômico. Segundo o MDIC, 16,5% das exportações brasileiras aos EUA entram na lista de tarifas, totalizando US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 33,6 bilhões).
Além das pressões comerciais, o governo brasileiro aponta para um conjunto de medidas políticas dos EUA, incluindo sanções com base na Lei Magnitsky e a classificação de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como terroristas. O entorno de Lula atribui parte dessas ações a aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), especialmente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos para articular ações contra o governo brasileiro.
Essa linha de defesa da soberania surge num momento em que o tema ganha força no discurso público — a ponto de aparecer como eixo da agenda presidencial. A pré-campanha também reforça que a democracia precisa ser preservada em meio a tensões externas e à desconfiança sobre o funcionamento das instituições. O debate ganhou ainda apoio de fontes que discutem a relação entre soberania nacional e o regime democrático, sob a narrativa de que o país não pode recuar diante de pressões internacionais.
Em campo eleitoral, o PT já traçou o slogan “O Brasil Não Se Entrega”, buscando associar a soberania a itens do cotidiano, como o Pix, empregos e a indústria nacional, conforme a estratégia anunciada pela legenda. Entre as pautas centrais, além da soberania, aparecem a democracia, a segurança pública e o combate à violência contra a mulher; a defesa da 6×1 também é destacada como uma bandeira a ser fortalecida pela candidatura de Lula.
No âmbito institucional, há ainda o foco nas eleições como marco temporal: a campanha oficial tem início em 16 de agosto, e a convenção nacional do PT para formalizar a candidatura de Lula está prevista para 2 de agosto, em São Paulo. Lula concorre pela quarta vez, e, se reeleito, seria o primeiro chefe de governo brasileiro a governar por quatro mandatos na era democrática.
Entre os temas adicionais citados pelos aliados, destacam-se segurança pública, emprego e meio ambiente. Em relação à PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, há expectativa de que o texto precise passar pelo Senado e que seu tratamento possa influenciar o ambiente eleitoral, ainda que não haja sinal claro de avanço imediato.
