DF entra na rota do mercado de canetas emagrecedoras do Paraguai

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Distrito Federal

Receita Federal do DF apreende 1.636 unidades irregulares de medicamentos para emagrecer em cinco meses, avaliadas em R$ 1,35 milhão

O que aconteceu: a Receita Federal, atuando no Distrito Federal, apreendeu 1.636 unidades de medicamentos para emagrecimento entre janeiro e maio deste ano, com avaliação de cerca de R$ 1,35 milhão. A maior parte das apreensões ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, apontando o DF como porta de entrada de itens importados irregularmente. O medicamento predominante entre os itens retidos foi a tirzepatida, grande parte oriunda do Paraguai.

No acumulado de janeiro de 2025 até julho de 2026, o órgão soma 4.919 unidades de medicamentos para emagrecimento apreendidas, entre canetas e ampolas, durante fiscalizações em drogarias, distribuidoras, clínicas de estética e bancas de feira. Embora o número de ocorrências de apreensão tenha permanecido estável (12 em 2026 ante 11 em 2025), o volume de medicamentos interceptados subiu significativamente.

A Vigilância Sanitária do DF também registrou um movimento intenso de fiscalização: em 2025 foram realizadas 7.498 inspeções em estabelecimentos ligados ao comércio e aplicação de medicamentos para emagrecimento e, até julho deste ano, são 5.422 fiscalizações. Ao todo, foram lavrados 755 autos de infração e recebidas 555 denúncias relacionadas à venda ou aplicação irregular desses produtos, com irregularidades que vão desde a ausência de registro sanitário até o armazenamento inadequado.

A Operação Efeito Rebote, deflagrada em junho, investiga a venda e aplicação irregular de medicamentos para emagrecer em três clínicas de estética do Distrito Federal (Asa Sul, Asa Norte e Águas Claras). Foram recolhidos fármacos com tirzepatida e outros que não tinham comprovação de regularidade junto aos órgãos sanitários. Também foram identificados medicamentos injetáveis importados sem o registro adequado e manipulações com falhas de rotulagem.

Especialistas lembram os riscos à saúde decorrentes do uso de substâncias sem controle. O endocrinologista Diego Bandeira, do Hospital de Base do DF, afirma que o aumento das apreensões reflete uma demanda crescente por medicamentos para emagrecimento, atendida por um mercado sem controle sanitário adequado. “O maior risco é o paciente não saber exatamente o que está utilizando. O produto pode conter concentração incorreta do princípio ativo, estar contaminado ou não conter a substância descrita no rótulo”, explica.

“Como não existe controle de qualidade, o risco é impossível de estimar previamente. A quebra da cadeia de refrigeração pode degradar a molécula, prejudicando a eficácia e elevando o risco de eventos adversos.”

A Anvisa ressalta que medicamentos industrializados à base de GLP-1, como tirzepatida e semaglutida, devem ser comercializados exclusivamente por drogarias autorizadas, mediante retenção de prescrição médica quando exigido. Clínicas não podem comercializar esses fármacos, e, em casos de manipulação, os rótulos devem conter dados completos para rastreabilidade. A ausência de informações, a falta de registro sanitário ou procedência duvidosa são fortes indícios de irregularidade identificados pelas autoridades.

Entre os riscos apontados estão infecções, pancreatite, desidratação, hipoglicemia e reações alérgicas graves. A recomendação é desfiar ofertas com preços muito baixos, evitar compras por redes sociais, exigir nota fiscal e verificar a conformidade de embalagens, rótulos e lacres. Qualquer reação adversa após o uso deve ser avaliada por um médico.

Fonte: informações oficiais da Receita Federal e da Vigilância Sanitária do Distrito Federal, com apuração baseada em relatos públicos da imprensa, incluindo o Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal.

PALAVRAS-CHAVE: canetas emagrecedoras, tirzepatida, semaglutida, Paraguai, Receita Federal, Distrito Federal, DF, Vigilância Sanitária, Anvisa, Efeito Rebote

META DESCRIÇÃO: DF registra 1.636 unidades de medicamentos para emagrecer apreendidas entre jan-maio; alerta sobre riscos e irregularidades, com ações de fiscalização e operação Efeito Rebote.

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