Especialistas divergem sobre o apoio de Marrocos à migração para Ceuta

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo jornalístico: Ceuta enfrenta crise migratória com mais de 50 mil imigrantes e cerca de 100 mortos; especialistas divergem sobre o papel de Marrocos na crise; discutem controle territorial e hipóteses envolvendo Israel; fonte: Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal. Palavras-chave: Ceuta, imigração, Marrocos, Israel, Acordo de Abraão.

Ceuta, Espanha — cidade espanhola situada no território africano, vive uma crise migratória de grande escala, com mais de 50 mil imigrantes chegando nos últimos dias e aproximadamente 100 mortos, segundo informações da Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.

Especialistas divergem quanto ao envolvimento de Marrocos na crise. O professor de História da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nuno Carlos de Fragoso Vidal, sugere que não haveria imigração em massa sem anuência do governo marroquinho.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o acadêmico angolano ressaltou que o governo espanhol de Pedro Sánchez tem se aproximado de setores da esquerda que apoiam a independência do Saara Ocidental, reivindicação da Frente Polisário e apoio da Argélia.

Brasília - 04/08/2026 - Crise migratória em CEUTA repercute na Europa e no mundo. Foto: Google maps

“O rei de Marrocos [Mohammed VI] chateia-se com esse apoio e resolve retaliar. Certamente aquela imigração em massa teve a anuência das autoridades marroquinas, muito certamente por conta da Frente Polisário, que é profundamente apoiada pelas forças de extrema esquerda da Europa”, disse o entrevistado à Agência Brasil.

Controle

O especialista em Europa e ex-senador pela Itália em 2006, o ítalo-brasileiro José Luís Del Roio, afirma que o governo marroquino controla todo o território de forma rígida, agindo como uma espécie de Estado policial e capaz de bloquear a movimentação de grandes contingentes. “Não é possível que deixem 80 mil jovens saírem correndo e não façam nada. Se não fazem nada, é porque não quiseram fazer nada. O sistema marroquino é muito rigoroso no controle territorial. Então existe conivência, sim, do governo marroquino”, afirmou.

“ não é plenamente aceitável que haja omissão diante de uma mobilização dessa magnitude. O sistema marroquino mostra sinais de conivência, segundo especialistas”, ressaltou.

Para Del Roio, a imigração em massa seria um “evento programado por forças poderosas”, com Israel citado como principal suspeito. “Primeiro, porque tem a capacidade de fazer isso e, segundo, porque Israel está irritado com a posição do governo espanhol em relação a Gaza e à Cisjordânia”, afirmou.

Marrocos é signatário do Acordo de Abraão, pacto que normaliza relações entre Israel e diversos países árabes, independentemente da questão palestina.

Juventude sem expectativa

Por outro lado, o professor marroquino Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e citado pela Agência Brasil, afirmou que não há indícios suficientes de envolvimento direto de Marrocos na crise de Ceuta, ainda que o tema tenha ganhado espaço em análises de especialistas internacionais.

Resumo

Ceuta e Melilla, enclaves espanhóis no norte da África, voltam a figurar no debate migratório. Inteligência espanhola afirma que Marrocos não planejou imigração em massa, mas permitiu a circulação de jovens para explorar a crise. Em 2021, Ceuta recebeu mais de 10 mil imigrantes. A crise molda políticas europeias e envolve Rabat, Madrid e Washington.

Ceuta e Melilla, enclaves espanholas no norte da África, voltaram a figurar no debate migratório após a crise que se intensificou em Ceuta em 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira. Segundo informações da inteligência espanhola, Madrid concluiu que Marrocos não planejou uma imigração em massa, mas permitiu a circulação de jovens dentro de seu território para explorar politicamente a situação. A conclusão alimenta o debate sobre políticas de controle de fronteiras na Europa, com implicações nas relações entre Rabat e Madri.

Conforme apuração do jornal El País, a inteligência espanhola não encontrou indícios de um plano de imigração em massa, mas aponta que o governo de Rabat permitiu a movimentação de jovens em território marroquino para instrumentalizar a crise. Em Ceuta, em 2021, o fluxo superou as expectativas das autoridades, abrindo caminho para debates sobre políticas de imigração mais rígidas na UE e tensões entre Espanha e Marrocos.

As Ceuta e Melilla são enclaves que Marrocos reivindica há décadas; especialistas destacam sua relevância estratégica para o controle do Estreito de Gibraltar. O professor da UFRJ, Nuno Carlos de Fragoso Vidal, rejeita a hipótese de que o Rei Mohammed VI seja uma marionete de Trump ou de Israel, atribuindo a análise a fatores domésticos e geopolíticos.

No panorama internacional, episódios em Ceuta e Melilla alimentaram debates sobre políticas migratórias mais rígidas na Europa. A Espanha reconheceu, em 2022, o projeto marroquino para o Saara Ocidental, movimento que não pacificou as relações com Rabat. Analistas destacam que a posição do governo espanhol sob Pedro Sánchez, que se aproxima de alas radicais da esquerda, influencia as relações com o Saara Ocidental e com Marrocos.

A leitura de especialistas é de que Marrocos utiliza a crise migratória como ferramenta política, segundo o professor Vidal. Ceuta e Melilla permanecem na linha de frente de uma disputa histórica sobre soberania e controle do Estreito, com implicações para a segurança europeia e para as políticas de imigração na região.

Resumo

Espanha elogia a cooperação de Marrocos na crise migratória, destacando a devolução de imigrantes irregulares.

Ceuta questiona a confiabilidade de Marrocos, cobrando respeito às fronteiras pela Espanha e pela Europa.

Marrocos atribui a crise a desinformação nas redes sociais, conforme declaração oficial difundida pela imprensa.

Ceuta e Melilla, Espanha — A crise migratória entre Espanha e Marrocos voltou a render declarações oficiais neste fim de semana. O governo espanhol elogiou a cooperação de Rabat para a deportação de imigrantes irregularidades, afirmando que a grande maioria já retornou ao Marrocos e que a cooperação continua. O presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, criticou a confiabilidade de Marrocos e pediu que a Espanha e a Europa exijam respeito às fronteiras. Paralelamente, em Rabat, o governo marroquino se manifestou pela primeira vez desde o início da crise, atribuindo a situação à disseminação de notícias falsas nas redes sociais.

Espanha elogia Marrocos

O governo da Espanha, em entrevista à RTVE, afirmou que Marrocos ofereceu cooperação para impedir o fluxo de pessoas e garantir o retorno dos imigrantes, destacando que a maioria já retornou e que a cooperação continua. José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores, reforçou que as ações ocorrem com o objetivo de conter o deslocamento irregular e manter vínculos de colaboração com o país vizinho.

“Desde o início, Marrocos ofereceu sua cooperação para tentar impedir esse fluxo de pessoas e, sobretudo, garantir seu retorno. A grande maioria dos que entraram já retornou a Marrocos, e o país continua oferecendo essa cooperação”, disse Albares em entrevista à RTVE. Em relação a críticas externas, o ministro afirmou que o governo espanhol não tem interesse em inflamar tensões, mantendo o foco na cooperação.

Ataque a redes internacionais — O ministro também acusou grupos “reacionários” de mobilizarem as redes sociais contra a Espanha, em meio ao escrutínio internacional sobre a gestão da crise migratória.

Marrocos se manifesta

Neste domingo, o governo do Marrocos se pronunciou pela primeira vez desde o início da crise envolvendo Ceuta e Melilla. O porta-voz do ministério do Interior afirmou que os acontecimentos foram resultado da disseminação de notícias falsas e que vários fatores interligados contribuíram para a crise, segundo a imprensa.

Rachid El Khalfi — em declaração à imprensa — ressaltou que houve instrumentalização tendenciosa das redes sociais com a divulgação de conteúdo que visava criar a falsa impressão de acesso fácil ao espaço europeu sem consequências legais.

Atuação diplomática e pressões políticas continuam a moldar o cenário entre Madrid, Rabat e parceiros internacionais, em meio a debates sobre fronteiras, imigração irregular e cooperação regional.

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