MP-BA apresenta denúncia contra gestor de casa de idosas em Salvador por crimes tipificados no Estatuto do Idoso

Ministério Público da Bahia denuncia proprietária da ILPI Lar Irmã Elizabeth, em Salvador, por negligência que deixou oito idosas em condições degradantes. A denúncia resulta de fiscalização realizada em julho, com irregularidades sanitárias e falhas na assistência à saúde. O caso envolve histórico de atuação do MP desde 2022, com determinação de encerramento em 2025 e novas apurações em 2026.

Salvador, Bahia – Nesta quarta-feira (5), o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ofereceu denúncia contra Roseli Santos Silva, proprietária e gestora da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Lar Irmã Elizabeth, localizada no bairro Roma, em Salvador. A acusação aponta que oito idosas residentes viviam em condições degradantes, com falhas em alimentação adequada, higiene, assistência à saúde e demais cuidados essenciais.

A denúncia foi apresentada pela promotora de Justiça Ana Rita Cerqueira Nascimento, decorrente da operação do MP-BA realizada em julho deste ano, que constatou a precariedade do local.

Segundo o MP, a responsável deixou de prestar assistência às idosas, expondo-as a condições desumanas e degradantes, crimes previstos nos artigos 97 e 99 do Estatuto da Pessoa Idosa. Roseli Santos Silva foi presa em flagrante pela Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso.

Entre abril de 2024 e 13 de julho de 2026, a instituição manteve funcionamento em desacordo com normas legais e sanitárias, acolhendo oito idosos em situação de extrema vulnerabilidade.

VIOLAÇÕES

Equipes do MP-BA, da Vigilância Sanitária, da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) e profissionais de saúde estiveram no local no dia 13 de julho de 2026 para inspeção.

A fiscalização identificou ambiente insalubre, com acúmulo de roupas e fraldas sujas na lavanderia, infestação de baratas na cozinha, alimentos deteriorados, medicamentos vencidos, utensílios sem higienização e restos de alimentos nos armários.

Os oito idosos acolhidos apresentavam desnutrição, desidratação, escabiose (sarna), ausência de cuidados básicos de higiene e comprometimento das condições de saúde. Duas idosas precisaram ser socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas imediatamente para unidades hospitalares devido à gravidade do quadro clínico.

HISTÓRICO DE INFRAÇÕES

A denúncia ressalta que o Lar Irmã Elizabeth já era acompanhado pelo MP desde 2022, com fiscalizações e recomendações para regularização, incluindo a apresentação de alvará sanitário, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e Plano de Atenção à Saúde, todos não cumpridos.

Em novembro de 2025, o MP-BA determinou o encerramento das atividades da instituição e a reinserção gradual dos idosos junto a familiares ou à rede de proteção. Mesmo com prazos concedidos, diligências da Central de Assessoria Técnica Interdisciplinar (Cati) do Centro de Apoio Operacional de Direitos Humanos (Caodh), do MP, comprovaram que o local continuava funcionando e recebendo novos residentes, em desacordo com as recomendações. Esse histórico motivou a inspeção realizada em julho de 2026.

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