Brasil participa de estudo inovador que mira a cura da hepatite B

Escrito por: Diógenes Cunha

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Brasil sedia um consórcio internacional para estudar hepatite B e coinfecção com HIV, liderado pela Johns Hopkins e envolvendo universidades brasileiras (Hucam-Ufes e USP) e instituições de Índia, Senegal e Uganda. Serão acompanhados 600 pacientes ao longo de cerca de cinco anos; recrutamento começou em julho, com 40 participantes já ativos. Meta: 75 participantes por país, com conclusão prevista até meados de 2027. Palavras?chave: hepatite B, consórcio internacional, Johns Hopkins, Hucam-Ufes, USP, HIV, coinfecção, cura, pesquisa clínica.

No Brasil, um consórcio internacional, liderado pela Faculdade de Medicina da Johns Hopkins, nos Estados Unidos, reúne pesquisadores de Brasil, Índia, Senegal e Uganda para investigar hepatite B e coinfecção por HIV. No país, o grupo conta com o Hucam-Ufes e a USP.

A iniciativa pretende observar o vírus em nível celular, avaliando o comportamento do agente entre pacientes de diferentes países e as respostas imunológicas. Também estarão sob análise indivíduos com hepatite B e HIV ao mesmo tempo.

“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, afirma a pesquisadora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, referência no tema. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, reforça.

Brasil participa de pesquisa inédita que busca a cura da hepatite B. Professora do Hucam-Ufes, referência no assunto, Tânia Reuter. Foto: Hucam/Divulgação

Crédito: Hucam-Ufes – Divulgação.

O consórcio foi criado em 2023, mas teve suspensão em 2024 e retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo teve início neste ano e deverá durar cerca de cinco anos. A metodologia combina pesquisa científica básica com prática clínica.

Reuter explica que serão acompanhados 600 pacientes com hepatite B, incluindo coinfecção por HIV, por ~4,5 anos, com 150 participantes por país. Desses, 75 serão avaliados pela equipe brasileira.

O estudo pretende identificar o que faz o vírus evoluir de forma diferente entre pacientes, quais características genéticas ajudam a evitar evoluções mais rápidas e quais subpartículas do vírus podem servir como preditores de cura ou de resposta ao tratamento.

“Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B”, afirma a pesquisadora. “O que for encontrado pode servir de base para o desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomoduladores, etc.”, completa.

Reuter iniciou o recrutamento em julho e já conta com 40 participantes; a meta é atingir 75 até o fim do ano, com prazo da pesquisa até meados de 2027.

Resumo: Hepatite B é doença viral que ataca o fígado e pode evoluir para cirrose, câncer de fígado e morte. Vacinação é a principal prevenção. OMS estima 240 milhões com infecção crônica (2024). No Brasil, 276,6 mil casos foram confirmados entre 2000 e 2022. Meta da OMS: eliminar hepatites até 2030.

A hepatite B é uma doença viral que ataca o fígado e pode evoluir para cirrose, câncer de fígado e morte. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais e pelo contato com sangue contaminado, incluindo durante a gestação ou no parto, quando pode passar da mãe para o bebê.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pela hepatite B, conforme dados de 2024.

Somente no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 276,6 mil casos foram confirmados entre 2000 e 2022.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o vírus da hepatite B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.

A meta global da OMS é erradicar as hepatites virais, o HIV e ISTs como ameaças à saúde pública até 2030. Relatório divulgado em julho aponta queda de 32% nas infecções por hepatites virais desde 2015, reflexo do aumento da cobertura da vacinação infantil, que atingiu 84% em 2024.

Prevenção: a vacinação é a principal medida, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

Para crianças, o esquema recomendado prevê quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses. Entre adultos, geralmente aplica-se um esquema de três doses para completar a proteção.

Outras formas de prevenção incluem uso de preservativos em todas as relações sexuais e não compartilhamento de objetos perfurocortantes ou de uso pessoal.

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