Resumo: Gestantes com anticorpos anti-TPO e função tireoidiana normal não devem usar levotiroxina como tratamento preventivo na gravidez. Diretrizes brasileiras, alinhadas à American Thyroid Association, foram anunciadas no 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no Rio de Janeiro. Mulheres com hipotireoidismo pré-existente devem aumentar a dose em cerca de 30% ao engravidar; o monitoramento permanece. Palavras-chave: anti-TPO, gravidez, tireoide, levotiroxina.
Rio de Janeiro – No 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado na capital fluminense, as entidades que conduzem as diretrizes sobre tireoide na gestação anunciaram mudanças relevantes. Em painel intitulado “Disfunção tireoidiana na gravidez: o manejo que evita danos irreversíveis”, a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia explicitaram a nova orientação para o manejo da tireoide durante a gravidez.
Não uso preventivo de levotiroxina – A orientação principal é que gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (Anti-TPO) que apresentem funcionamento da glândula dentro da normalidade não devem receber a forma sintética do hormônio levotiroxina como tratamento preventivo, desde que TSH e T4 livre estejam normais. A medida se aplica mesmo com a presença dos anticorpos, que indicam apenas uma predisposição à alteração tireoidiana, e não doença estabelecida.
Essa mudança está alinhada às diretrizes publicadas pela American Thyroid Association, em junho deste ano, marcando quase uma década desde as recomendações anteriores, de 2017. No Brasil, a comunicação sobre a atualização ocorreu nesta sexta-feira (28), durante o congresso no Rio de Janeiro.
Mesmo sem benefício comprovado do uso preventivo de levotiroxina nesses casos, o acompanhamento da função da tireoide continua essencial. Estudos clínicos indicam que há maior risco de desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação em mulheres com Anti-TPO positivos, o que justifica o monitoramento regular.
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Caso pré-existente de hipotireoidismo – Para gestantes com hipotireoidismo já diagnosticado antes da gravidez, a orientação permanece de aumentar a dose do hormônio cerca de 30% assim que a gravidez é confirmada, para manter níveis adequados durante o período gestacional.
Declaração de especialistas – Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, destacou que o anticorpo Anti-TPO reflete predisposição, não doença manifestada. “Se o TSH e o T4 livre estiverem normais, a mulher é eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina apenas pela positividade do anti-TPO.”
A atualização reforça a importância do monitoramento hormonal ao longo da gestação, mesmo em casos de anticorpos presentes, a fim de evitar danos irreversíveis e ajustar o cuidado conforme a evolução clínica de cada paciente.
Crédito: Agência Brasil (EBC) e foto: Cleo Mesa Júnior/Arquivo Pessoal
Resumo
Brasil manterá rastreamento precoce de todas as gestantes desde o início da gravidez para identificar quem realmente precisa de tratamento.
A decisão difere da diretriz da ATA, que recomenda rastreamento seletivo por fatores de risco como idade materna, obesidade e histórico de gestações.
Especialistas destacam dúvidas sobre a eficácia do rastreamento apenas por risco e defendem avaliação mais individualizada.
No manejo do hipotireoidismo subclínico, o tratamento pode ser considerado no 1º trimestre apenas para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L, com reteste antes da decisão de tratar.
Brasil manterá a estratégia de rastreamento precoce de todas as gestantes, desde o início da gravidez, para identificar quem realmente precisa de tratamento.
A diferença para diretrizes internacionais – A medida brasileira contrasta com a diretriz internacional da ATA, que recomenda o rastreamento apenas em mulheres com fatores de risco, como idade materna avançada, obesidade e histórico de gestações anteriores.
Especialistas reconhecem a controvérsia: a recomendação baseada em fatores de risco não possui consenso definitivo de que seja superior ao rastreamento universal, já que não há provas científicas conclusivas de benefício em testar apenas quem tem risco. O Brasil, portanto, mantém a avaliação de todas as pacientes para evitar deixar de diagnosticar distúrbios da tireoide.
“O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam alteração da tireoide, mas não possuem os fatores de risco considerados na triagem.”
A adoção dessa estratégia busca não perder oportunidades de diagnóstico, ao mesmo tempo em que prioriza a individualização do tratamento para evitar medicações desnecessárias.
Hipotireoidismo subclínico
Quanto ao hipotireoidismo subclínico, a diretriz passa a orientar que o início do tratamento para ele, com TSH elevando-se entre 4,0 e 10 mUI/L, ocorra no primeiro trimestre da gestação, momento em que o desenvolvimento do feto depende mais do hormônio tireoidiano materno.
Especialistas destacam que, até a 12ª semana, o hormônio tireoidiano materno tem maior impacto no desenvolvimento fetal. Se o TSH estiver elevado apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é acompanhar a função tireoidiana sem iniciar a levotiroxina, salvo se o TSH ultrapassar 10 mUI/L.
“Não há evidência científica clara de benefício em iniciar o tratamento hormonal de rotina”, afirma o Dr. Cleo Mesa Júnior, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A decisão, segundo ele, deve considerar o nível de TSH, o T4 livre e o momento da gestação.
Antes da diretriz norte-americana, quando o problema era detectado durante a gravidez, a reposição do hormônio poderia ser considerada independentemente do tempo de gestação.
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Crédito: stefamerpik/Freepik
Repetição de exame
A posição internacional também recomenda repetir o exame de detecção do TSH apenas após o intervalo de uma a três semanas antes de decidir tratar a gestante, documento que orienta a fiscalização da conduta terapêutica em etapas da gravidez.
Essa diretriz reforça a necessidade de monitoramento cuidadoso antes de qualquer intervenção farmacológica, buscando equilíbrio entre diagnosticar distúrbios e evitar tratamentos desnecessários.
Fonte: Agência Brasil, parceria com o PrimeiroJornal.
Palavras-chave: rastreamento precoce, tireoide, TSH, hipotireoidismo subclínico, gravidez, gestantes, levotiroxina, diretrizes ATA, Agência Brasil.
Resumo: ATA atualiza diretrizes sobre rastreamento de disfunção tireoidiana em gestantes e suplementação de iodo no Brasil. No país, a suplementação de iodo não é universal; é indicada de forma individualizada, principalmente para gestantes com maior risco. Critérios de risco passam a priorizar alterações na tireoide em mulheres com histórico de tireoidopatias, cirurgia, doenças autoimunes, infertilidade, abortos e uso de certos fármacos.
Brasil – Diretrizes divulgadas pela ATA atualizam recomendações sobre rastreamento de disfunção tireoidiana em gestantes e sobre suplementação de iodo. O documento orienta garantir ingestão adequada de iodo antes da concepção e reforça a necessidade de detectar alterações na tireoide em gestantes com maior risco, com base em critérios mais específicos.
A atualização prioriza o rastreamento de risco mais específico: permanecem no grupo de atenção gestantes com histórico de hipo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento prévio da tireoide, doenças autoimunes como diabetes tipo 1, histórico familiar de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortos e uso de medicamentos que interfiram na glândula.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), isoladamente esses critérios não identificavam com precisão quem apresenta disfunção tireoidiana, destacando que tais características são comuns na população e, por isso, têm baixo poder para selecionar adequadamente quem deve ser investigado.
Iodo é o micronutriente essencial para a produção de hormônios tireoidianos, com demanda aumentando na gestação e na amamentação. O novo texto orienta garantir ingestão adequada por meio da suplementação já antes da concepção. No Brasil, contudo, a suplementação não é universal: deve ser individualizada, especialmente para mulheres com maior risco de ingestão insuficiente.
“No Brasil, em um sistema em que nem sempre é possível garantir retorno rápido, esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento.” — afirma o Dr. Cleo Mesa Júnior, que comenta as implicações das diretrizes no país.
Quando houver dietas muito restritivas, veganas, baixo consumo ou ausência de sal iodado, pode-se considerar suplementação de 100 a 150 ?g de iodo por dia, conforme orientação disponível. As diretrizes enfatizam a importância de ajustar a estratégia conforme o contexto de cada gestante, visando a saúde materna e fetal.
