TJ-BA abre curso para evitar conflitos no futebol; Bamor e TUI participam

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: TJ-BA lança curso de formação em Justiça Restaurativa para prevenir conflitos no futebol baiano, com participação de torcidas Ba-Vi (Bamor e Os Imbatíveis) e autoridades. Formação ocorre em outubro na Unicorp-TJ-BA, focada em soluções restaurativas, após episódios de violência no clássico Ba-Vi que resultaram em suspensão de torcidas.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) lançou, nesta terça-feira (22), um curso de formação voltado ao público esportivo com o objetivo de prevenir conflitos no futebol baiano. A apresentação ocorreu durante o seminário
“Futebol em Circulo: Justiça Restaurativa no contexto socioesportivo”, na sede do TJ-BA, com a participação das principais torcidas de Bahia e Vitória, Bamor e Os Imbatíveis, respectivamente.

Além das torcidas, estiveram presentes representantes do Ministério Público da Bahia (MP-BA), da Defensoria Pública, da OAB-BA, da Polícia Militar (PM-BA) e da Federação Bahiana de Futebol (FBF). O encontro serviu de preparação para a implantação de técnicas de Justiça Restaurativa voltadas à convivência esportiva.

A formação terá duração de cinco dias em outubro e adotará métodos de restauração de relações, com participação igualitária de todos os envolvidos. Cerca de metade das vagas ficará com as torcidas organizadas do Ba-Vi e o restante com representantes das demais instituições. As aulas acontecerão na unidade Unicorp-TJ-BA.

Joanice Guimarães, Desembargadora e presidente do Núcleo de Justiça Restaurativa de 2º Grau, destacou que já existem conflitos no cenário esportivo e que o clássico Ba-Vi tem sido disputado com torcida única. “Não basta apenas a Justiça Restaurativa; é uma das pautas para criar um clima esportivo, em vez de um ambiente de guerra”, afirmou.

Fausta Cajahyba, Juíza e uma das instrutoras do curso, explicou que o objetivo é unir diferentes atores para enfrentar a violência no futebol. Também participam como instrutores Expedito Carlos Lopes, servidor público aposentado do TJ-BA, e Jaklane Almeida, representante da Justiça Restaurativa e Mediação Judicial do TJ do Espírito Santo (TJ-ES).

Os representantes das duas torcidas manifestaram apoio ao fim da torcida única, vigente no estado desde 2018, e se colocaram à disposição para buscar uma solução que contribua para um ambiente mais seguro. Eles ressaltaram que as brigas costumam ocorrer fora dos estádios, em Salvador e na região metropolitana, envolvendo não apenas questões esportivas, mas também de Segurança Pública.

“É muito importante o Judiciário estar próximo dessa questão, porque a violência não é criação nossa; é um problema da sociedade. A construção coletiva para resolver a segurança é fundamental”, disse Marcio Ribeiro, da torcida Os Imbatíveis. Já Luciano Venâncio, da Bamor, afirmou que a diretoria está empenhada em debater o tema e que deseja retornar aos estádios, tanto no Barradão quanto na Fonte Nova.

CASOS DE VIOLÊNCIA NO CLÁSSICO: Após o último Ba-Vi, em 23 de agosto, um integrante da Bamor foi assassinado após ser atacado por membros da Os Imbatíveis na Avenida 29 de Março, horas antes do jogo no Barradão. Seis torcedores foram presos. Em resposta, as torcidas foram suspensas de frequentar estádios por seis meses, decisão da PM-BA que passou a valer em 3 de setembro.

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