Plataforma ‘Quero Caruru’ usa georreferenciamento para mapear carurus em Salvador, Bahia, e locais internacionais. Fernando Teles criou a ferramenta para reunir eventos gratuitos ou pagos e um calendário. A iniciativa facilita convites e participação, fortalecendo a tradição baiana no mês de setembro. Amanda Nogueira relata dificuldades em encontrar carurus na capital.
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Salvador, Bahia – Em setembro, mês de celebração do caruru, surge a plataforma “Quero Caruru”, criada pelo desenvolvedor Fernando Teles, para mapear onde ocorrem carurus no Brasil e no exterior, por meio de georreferenciamento. A ferramenta reúne eventos em diferentes locais, inclusive fora do Brasil.
Amanda Nogueira, pesquisadora cearense que vive em Salvador há seis anos, conta que encontrar carurus na cidade pode ser um desafio. “Em Salvador, estou com dificuldade de encontrar ou ser convidada para carurus. Como não tenho amigos de infância aqui, talvez eu precise ampliar meu círculo de amizades ou buscar os carurus pela internet. Mas, este ano, eu preciso ir a um caruru”, disse.
Segundo Teles, a ideia partiu de uma conversa entre amigos desenvolvedores. “Nós somos desenvolvedores, então a gente queria usar a tecnologia para poder mostrar onde tem caruru acontecendo”, explicou, morador da Cidade Baixa em Salvador. Ele acrescentou que a plataforma nasceu para aproximar a tradição da população.
O site funciona como um mapa colaborativo: usuários podem consultar onde os carurus estão ocorrendo e quem organiza o evento pode cadastrá-lo na plataforma, gratuito ou pago. Também existe a possibilidade de destacar o evento. Quem quiser dar mais visibilidade ao seu caruru pode optar pela contribuição, que ajuda a manter o projeto no ar.
Além do mapa, a plataforma oferece um calendário para visualização dos próximos eventos, permitindo que o público planeje a participação. A proposta é manter viva a tradição culinária baiana, especialmente neste mês de setembro, quando o caruru é preparado e distribuído como forma de devoção.
A iniciativa representa um encontro entre cultura e tecnologia, ampliando o alcance de saberes regionais sem substituir a tradição oral que sustenta o caruru baiano.
Resumo: Bahia celebra o caruru em Cosme e Damião e Ibeji, prática ligada ao sincretismo entre catolicismo e religiões de matriz africana; reconhecida como patrimônio imaterial da Bahia desde 2024. Neste fim de semana, 86 carurus já foram registrados, com previsão de mais celebrações nos dias 26 e 27 de setembro.
Bahia vive, neste mês de setembro, a celebração do caruru em homenagem a Cosme e Damião e aos Ibeji, símbolos de fé, partilha e alegria. A prática envolve distribuir caruru e doces e nasce do sincretismo entre o catolicismo e as tradições de matriz africana.
A distribuição de caruru e doces durante setembro é expressão do sincretismo entre o catolicismo e as tradições de matriz africana. Enquanto Cosme e Damião são referências católicas, os Ibeji representam divindades ligadas à infância, associadas à alegria e à vitalidade.
Ernesto Xavier, antropólogo, historiador e Ogan, explica que, nas religiões de matriz africana, os Ibeji são divindades ligadas à brincadeira e à energia infantil. A festividade ressignifica essa energia por meio da partilha de alimentos que simbolizam prosperidade e cuidado com a infância.
Cosme e Damião foram irmãos gêmeos e médicos que, segundo a tradição, trataram pessoas sem cobrar, o que rendeu a eles o título grego de “anárgiros” e o reconhecimento como santos pela Igreja Católica. Eles teriam sido torturados e decapitados por volta do ano 303 d.C., tornando-se mártires católicos.
O padre Valter Rui, pároco da Paróquia Santos Cosme e Damião, em Salvador, destaca que a fé católica convive com as manifestações populares de matriz africana. Segundo ele, cada tradição funciona dentro de seus espaços, sem que uma interfira na prática da outra, o que reforça a identidade afro-brasileira da região.
Em 2024, o caruru de São Cosme e São Damião foi reconhecido oficialmente como patrimônio imaterial da Bahia, reforçando a importância cultural da celebração para a população local e o conjunto das tradições baianas.
Em setembro, o caruru continua a ocupar posição central nas mesas baianas, seja para Cosme e Damião, seja para Ibeji, como expressão de fé, partilha e devoção entre comunidades da Bahia.

