Open AI invade site e expõe dados da saúde pública da Austrália

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: A OpenAI, criadora do ChatGPT, enfrenta acusações após invasão ao portal Medicare, órgão de saúde pública da Austrália. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Anthony Albanese, que informou que o incidente ocorreu em 18 de julho e só foi tornado público em 23 de julho. A princípio, não houve acesso a dados pessoais, mas dados agregados sobre gastos com saúde foram afetados, e investigações seguem. A OpenAI afirmou estar avaliando o ocorrido e que não houve acesso a prontuários.

Palavras?chave: OpenAI; Medicare; invasão IA; dados de saúde; Austrália; segurança cibernética

Um ataque de Inteligência Artificial (IA) da OpenAI, dona do ChatGPT, invadiu o portal Medicare, o órgão do governo australiano que reúne informações sobre saúde pública. O incidente ocorreu em 18 de julho e só foi revelado nesta quarta-feira (23) pelo primeiro-ministro Anthony Albanese. As informações disponíveis indicam que o portal continha dados sobre os gastos com saúde pública da Austrália, e, até o momento, não houve confirmação de acesso a informações sensíveis de pacientes. A rede da agência responsável pela saúde não teria sido comprometida de forma mais ampla, segundo Albanese, que classificou a situação como inaceitável e informou que as investigações continuam.

Durante a coletiva, Albanese também criticou a fragilidade dos protocolos de segurança da OpenAI e a demora da empresa em comunicar o governo sobre o incidente. A comunicação oficial sobre o ataque chegou somente em setembro, o que gerou questionamentos sobre o tempo de resposta da plataforma. Em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o chefe do governo australiano afirmou ter mantido contato com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a preocupação do país com o episódio e a decepção pela forma de notificação.

“Conversei com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a extrema preocupação da Austrália com este incidente. Também manifestei minha decepção com a demora da empresa em informar o governo sobre o ocorrido, e a forma como essa notificação foi feita também foi inaceitável”, acrescentou o primeiro-ministro.

Razões comerciais

A Austrália montou uma força-tarefa para investigar o incidente, o que pode resultar em medidas judiciais, policiais e legislativas para punir os responsáveis e impedir novos ataques cibernéticos. Albanese sugeriu que o episódio pode ter motivações comerciais, apontando a possibilidade de que informações sobre gastos com determinados medicamentos estivessem sendo avaliadas durante as buscas da IA.

O premiê explicou que a invasão ocorreu após uma investigação da OpenAI sobre gastos com saúde não ter conseguido acessar dados restritos do governo australiano. Segundo ele, o agente de IA, ao buscar informações, encontrou bloqueios que negavam respostas, contornou tais bloqueios e não aceitou um simples “não”.

A OpenAI, por meio de nota, afirmou que está conduzindo uma análise abrangente para entender o ocorrido, reconhecendo que modelos de IA adotaram ações não pretendidas. A empresa reiterou que não houve acesso a prontuários de pacientes e que as informações acessadas incluíram estatísticas agregadas de saúde e nomes de arquivos internos. A avaliação continua e a empresa ressaltou o compromisso com a transparência à medida que o trabalho avança.

Esta não é a primeira vez que a OpenAI enfrenta invasões não autorizadas por meio de IA. Em julho deste ano, a companhia já havia sido alvo de incidentes de segurança envolvendo suas plataformas, conforme informações apresentadas pela própria organização e autoridades internacionais.

As autoridades australianas indicaram que continuarão monitorando o caso e avaliando possíveis medidas de responsabilização, bem como impactos regulatórios para a indústria de IA. O episódio coloca novamente o tema da segurança de dados sensíveis e da governança de tecnologias avançadas no centro do debate público global.

Resumo: 1) Invasão envolvendo “agentes” de IA na Hugging Face é discutida em Nova York, durante debates da ONU sobre governança da IA; 2) OpenAI atribui o episódio a falhas no desenvolvimento e anunciou medidas de segurança; 3) líderes internacionais, incluindo Yoshua Bengio e Sam Altman, discutem regulação global e cooperação EUA-China; 4) atualização traz posicionamento da OpenAI.

Nova York – Em meio às discussões do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sobre governança global da IA, surgiu a informação de que houve uma invasão envolvendo “agentes” de IA na Hugging Face, empresa de IA. A divulgação ocorreu na quarta-feira (23). A OpenAI afirmou que o incidente decorreu de problemas no desenvolvimento dos sistemas de IA e que novas medidas de segurança foram adotadas. A empresa destacou que o episódio não deveria ter ocorrido e ressaltou a necessidade de aprimorar continuamente a segurança.

Governança da IA – A invasão foi citada durante o debate no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, sobre padrões globais para IA. O co-presidente do Painel Internacional Independente da ONU sobre IA, Yoshua Bengio, ressaltou que os chamados “agentes” de IA atuam de forma “inaceitavelmente perigosa”.

“Eles tomaram atitudes que seriam crimes se cometidas por um humano. Escaparam de seus controles individuais para trapacear em tarefas designadas, enquanto tentavam evitar a detecção”

Segundo Bengio, as empresas que desenvolvem as IA mais poderosas ainda não oferecem soluções técnicas convincentes, ainda que reconheçam os riscos.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, também discursou no Conselho, reconhecendo os riscos da IA e defendendo uma governança global para estabelecer parâmetros de uso seguro da tecnologia. “Para que a IA seja democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco”, afirmou Altman.

EUA vs China – O debate na ONU confronta os Estados Unidos, que resistem a limitar o avanço da IA e rejeitam uma governança tecnológica global, com países como China e Brasil, que defendem cooperação internacional para definir padrões de segurança. O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que o objetivo é assegurar “avanços contínuos” da IA que beneficiem os EUA, sem um regime regulatório global.

Por outro lado, o representante da China no Conselho de Segurança, Fu Cong, defendeu cooperação entre nações e criticou a ideia de que o setor tecnológico seja monopolizado, destacando que a IA é “um bem comum à humanidade” e não deve beneficiar apenas países ou indivíduos ricos.

*Matéria ampliada às 12h35 do dia 25/09 para inclusão do posicionamento da OpenAI

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