Profissionais de saúde destacam riscos das apostas na prevenção ao suicídio

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é tema de alerta na saúde mental no Brasil. Especialistas destacam a relação entre ludopatia (dependência de apostas) e ideação suicida, enfatizando a necessidade de diálogo aberto em consultórios, grupos terapêuticos e linhas de apoio como o CVV. Sinais de risco incluem desespero, isolamento, ansiedade e falas sobre morte; ações de cuidado devem ser fortalecidas durante o Setembro Amarelo.

Nesta quinta-feira (10) — Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio — especialistas ouvidos pela Agência Brasil defendem tratar com abertura a relação entre dependência de apostas virtuais e ideação suicida no país, com foco em denúncias precoces e intervenção clínica. As informações ressaltam a importância de conversar sobre o tema na prática clínica e nos grupos de apoio, para reduzir riscos.

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Crédito: Agência Brasil

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Crédito: Agência Brasil

Entre os sinais de alerta estão desespero, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool e mudanças no comportamento. Falas relacionadas à morte ou à não vontade de viver devem acender o sinal de alerta e levar à busca de ajuda.

A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes, segundo a Katia Branco, psiquiatra e supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ela lembra que pacientes que buscam ajuda por ludopatia costumam chegar com humor deprimido, extremamente ansiosos por causa dos prejuízos. Há casos em que surgem pensamentos de morte e, em situações graves, ideação suicida associada aos prejuízos financeiros.

“Recompensa” perigosa

O neurocirurgião Orlando Maia, que atua no Rio de Janeiro (RJ), explica que o mecanismo de dependência envolve condições orgânicas. Quando a pessoa aposta, o cérebro pode liberar dopamina na expectativa de ganhar, funcionando como uma recompensa.

Essa situação influencia regiões envolvidas no controle das decisões e do comportamento, mantendo o reforço intermitente no cérebro.

“O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões”, diz o médico que trabalha no Hospital Quali Ipanema

O especialista alerta que a ideação suicida costuma ocorrer nos aprofundamentos de quadros depressivos e que levam a uma “frustração contínua”. Por isso, durante as campanhas por cuidados com a saúde mental, no “Setembro Amarelo”, é fundamental reiterar o papel do cuidado, inclusive a serviço como o Centro de Valorização da Vida (CVV).

“Os mecanismos de tratamento desse ato de estímulo contínuo das apostas e das frustrações envolvem uma série de ações em diferentes campos de saberes, como a medicina, a psicologia e a atividade física. Envolve uma série de situações associadas para a melhoria contínua da saída desse quadro.”

Ajuda

O neurocirurgião Orlando Maia afirma que a pessoa com essa dependência requer uma abordagem multidisciplinar que combine medicina, psicologia e atividades físicas para reduzir o ciclo de apostas, frustração e risco de ideação suicida.

Ele ressalta a importância de manter campanhas de conscientização e de reforçar serviços de apoio como o CVV ao longo do mês de setembro.

Fonte: Agência Brasil

Resumo: Especialistas do Distrito Federal discutem o aumento da dependência de apostas online e seus impactos na saúde mental e nas relações familiares. O acesso 24/7 e a exposição a publicidade elevam riscos de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. Profissionais defendem intervenção precoce, apoio da família e tratamento multiprofissional.

Palavras?chave: dependência de apostas; saúde mental; depressão; ansiedade; suicídio; CAPS; tratamento

Distrito Federal – especialistas destacam o crescimento da dependência de apostas online e os impactos que essa prática traz para a saúde mental e para as dinâmicas familiares. Segundo relatos reunidos por profissionais da área, a sensação de que a aposta já faz parte do dia a dia leva muitos a não reconhecer o problema sozinhos; “precisam de pessoas da família ou de amigos que possam ajudar”, afirmam.

Os familiares testemunham o adoecimento e o endividamento em cascata: pessoas que perdem tudo e chegam a apresentar agravamento de sintomas como depressão, ansiedade e até ideias suicidas. “São transtornos ligados à saúde mental que aumentam muito em consequência disso”», alerta a psiquiatra Kátia Branco.

Socorro é a palavra-alvo para quem observa o drama, dizem profissionais que atuam em redes de apoio. A psicóloga Claudia Feres, que trabalha em Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) do Distrito Federal, reforça que dependentes e familiares devem buscar ajuda profissional o quanto antes. “Eu trabalho em CAPS. Chegam pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativas de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”, relata.

Para ela, não significa necessariamente que a pessoa quer morrer, mas está absolutamente perdida no momento. “A gente faz o acolhimento e pede para trazer a família junto. Pensar em estratégias que façam sentido para todos”.

A especialista também destaca que o problema é muito maior do que a situação de um único indivíduo e do celular dele. “A solução tem que ser no âmbito coletivo também”.

O caminho do risco é descrito pela psiquiatra Giovanna Quinet, que atua no Rio de Janeiro. Ela esclarece que não se pode afirmar que apostar leva necessariamente à depressão ou que toda pessoa que aposta terá pensamentos suicidas. “O problema está principalmente quando o jogo deixa de ser uma atividade eventual e passa a ocupar espaço central na vida da pessoa, com perda de controle e consequências negativas”, afirma.

“O problema está principalmente quando o jogo ocupa espaço central na vida da pessoa, com perda de controle e consequências negativas.” — afirma a profissional que atua na Clínica Revitalis, no Rio de Janeiro.

O que torna o quadro ainda mais complexo é que as apostas online cabem no bolso e estão disponíveis quase 24 horas por dia. “Existe uma exposição muito grande, inclusive associada ao esporte, à publicidade e às redes sociais”, observa Giovanna Quinet. Esse contexto facilita a normalização do comportamento e dificulta a percepção de quando ele ultrapassa o limite entre entretenimento e problema.

Segundo os especialistas, o ciclo costuma começar com a aposta buscando entretenimento, ou até uma chance de ganho. Em algum momento, a pessoa perde dinheiro, eleva as apostas para tentar recuperar o valor e, muitas vezes, oculta a dimensão do problema da família. Resultado: conflitos familiares, prejuízos no trabalho, insônia, ansiedade, culpa, vergonha e isolamento.

“Esse estado de desespero pode estar associado à depressão e aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas”, aponta a equipe de especialistas. Para eles, não se deve aguardar até o fundo do poço para buscar apoio.

Tratamento adequado pode envolver avaliação psiquiátrica e, em alguns casos, uso de medicação. Ainda segundo as fontes consultadas, “perguntar não significa induzir” a qualquer decisão, mas abrir espaço para intervenção precoce e orientação terapêutica.

Resumo: Especialistas em saúde mental e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) destacam a importância da prevenção ao suicídio e do jogo responsável como agenda pública. A regulamentação federal, em vigor desde 2025, impõe regras de proteção ao consumidor, e serviços de apoio como Samu (192) e CVV (188) são enfatizados como caminhos de acolhimento e encaminhamento.

Especialistas em saúde mental e representantes do IBJR destacaram a importância de tratar a prevenção ao suicídio e o jogo responsável como agenda pública. A discussão ganha relevância à medida que, a partir de janeiro de 2025, o mercado federal regulado passa a operar com regras de proteção ao consumidor e controles específicos para o jogo.

Atuação coordenada – O IBJR afirma que o enfrentamento do jogo problemático é uma questão séria que demanda atuação coordenada entre poder público, reguladores, empresas, entidades e sociedade, para reduzir danos e ampliar o acesso a apoio.

Em relação à publicidade, o setor argumenta que a regulamentação impõe regras específicas e rigorosas para as ações de comunicação, buscando evitar sensacionalismo e promover práticas responsáveis.

Serviços – Os profissionais ressaltam que, se houver risco de suicídio, a pessoa não deve ficar sozinha. O atendimento de urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192, e o CVV oferece atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 188. A Rede de Atenção Psicossocial do SUS também orienta sobre onde encontrar um Caps.

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