Resumo: Bahia vive a corrida pelo governo entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil). Neto aparece como azarão, mas com chances reais de vitória; Jerônimo busca a reeleição apoiado pela máquina administrativa. Pesquisas variam e empates técnicos aparecem, enquanto o debate envolve a relação entre PT, Lula e a possível aliança Lula-Neto.
Apesar de aparecer à frente em alguns levantamentos, ACM Neto chega às urnas na Bahia na condição de azarão, com chances reais de vitória na disputa pelo governo estadual. O ex-prefeito de Salvador não encerra a campanha com um favoritismo definitivo em relação a Jerônimo Rodrigues, que permanece no comando do Palácio de Ondina e tem a máquina administrativa a seu favor. A diferença entre ambos oscila conforme a leitura de cada pesquisa, mantendo a definição do primeiro turno em aberto e alimentando a expectativa de que o resultado pode surpreender.
Com a proximidade do primeiro turno, o PT baiano retoma a força vista pela primeira vez em 2006, quando venceu o Palácio de Ondina pela primeira vez. Observadores destacam que o partido é descrito como de chegada, uma força que costuma abalar leituras iniciais que colocam a oposição na dianteira. Em 2026, porém, essa força não foi inteiramente previsível: institutos de pesquisa que, no passado, apontavam vantagem ao petismo apresentaram resultados variáveis, mantendo a disputa acirrada e sem um desfecho definido.
O empate técnico entre Jerônimo e Neto persiste, reforçando que o cenário depende da metodologia de cada levantamento. Em alguns cenários, Jerônimo Lidera; em outros, Neto assume a dianteira. Essa oscilação reflete a volatilidade do eleitor baiano e a influência de apoios locais que variam conforme a dinâmica da campanha, sem que haja consenso claro sobre quem terá vantagem no dia da votação.
Para quem conduziu a máquina pública, Jerônimo Rodrigues é apresentado como o governador petista com desempenho menos estável na leitura de reeleição, em comparação com exemplos de 2010 e 2018, quando Jaques Wagner e Rui Costa tiveram campanhas de maior expressão dentro do PT. A narrativa sugere que Jerônimo enfrenta um contexto diferente daquele visto em outras gestões petistas, acentuando a complexidade da trajetória rumo à renovação do mandato.
O ex-prefeito de Salvador demorou a se recompor após a derrota no segundo turno de 2022. Ainda assim, não adotou uma oposição radical e manteve uma postura de civilidade na política. Durante a campanha, Neto foi alvo de ataques de aliados do governador, sem reagir com a mesma intensidade, característica que tem sido associada ao seu estilo. Essa postura é observada por aliados e críticos como parte de uma estratégia de disputa sem recorrer a confrontos excessivos.
Ao mesmo tempo, Neto não parece contar com o apoio de um grande eleitor federal para alavancar o pleito, o que alimenta o debate sobre a possível leitura Lula-Neto. Parte da população baiana encara a hipótese de apoiá-la como benéfica para a disputa, enquanto outros demonstram ceticismo quanto aos impactos políticos e legais de tal alinhamento. Embora haja resistência entre parte do eleitorado, fatores nacionais podem influenciar a corrida estadual, mantendo a expectativa de definição no primeiro turno, sem que haja garantia de vitória de qualquer lado.
Resumo: Na Bahia, o atual governador Jerônimo Rodrigues não pode ser tratado como azarão na campanha pela reeleição. O cenário aponta para uma disputa apertada e polarizada, com alta presença de votos em branco e abstenções, conforme a ideia de “eleição peruana” proposta por Antonio Lavareda, usada para explicar o voto a voto.
Palavras-chave: Bahia, Jerônimo Rodrigues, reeleição, eleição peruana, Lavareda, votos em branco, abstenção, bipolarização.
Na Bahia, o candidato Jerônimo Rodrigues, atual governador, não pode ser visto como azarão na campanha pela reeleição. Em posição de líder natural, ele enfrenta a responsabilidade de manter a continuidade do Executivo, condição que o coloca entre os favoritos, mesmo diante de críticas ao modelo proposto.
É muito provável que, ao final das urnas, o próximo governo precise lidar com uma Bahia dividida, com parte da população crítica ao caminho sugerido. Mesmo com a possibilidade de definição em primeiro turno, a tendência é de uma disputa aguerrida, repetindo o formato observado há quatro anos.
A referência da matéria recai sobre a “eleição peruana”, conceito criado pelo cientista político Antonio Lavareda para classificar decisões voto a voto. Segundo o texto, o número de votos brancos e de abstenções tende a permanecer elevado, mantendo o tom de contestação ao modelo proposto ao longo dos pleitos recentes.
Essa bipolaridade que se arrasta há anos na Bahia é citada como potencial geradora de fissuras semelhantes às observadas em cenários nacionais. Profissionais e analistas seguem atentos para entender se o estado consegue evitar fraturas maiores durante a atual disputa.

