Após 7 de outubro, Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo

Oriente Médio: ataque do Hamas a Israel em 7/10/2023 desencadeia mudanças estruturais em alianças militares e políticas.

Conflitos em Gaza e respostas israelenses ampliam tensões regionais, alterando o mapa de poder.

Rompimentos entre Saudi-Arábia e Emirados Árabes, saída da Opep e reconfiguração de blocos pró-EUA são destaques do período.

Oriente Médio – Três anos após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, o cenário da região tem sido marcado por uma sequência de acontecimentos que modificou a correlação de forças na instável Ásia Ocidental, por meio de guerras e da criação e do desmonte de alianças militares e políticas.

O ataque do Hamas contra vilas ao sul de Israel, que tirou a vida de cerca de 1,2 mil pessoas, foi seguido de uma resposta militar israelense classificada por especialistas como genocídio, que destruiu cidades inteiras de Gaza, como Rafah e Khan Yunis, e causou a morte de mais de 74 mil pessoas.

KHAN YUNIS, GAZA, PALESTINE - OCTOBER 04: Workers carry out restoration work at the historic Grain Market, severely damaged in Israeli attacks, in Khan Yunis in the southern Gaza Strip, Palestine, on October 04, 2026.

Crédito: Reuters/Abdallah F.s. Alattar/Arquivo/Proibida reprodução.

Nesse intervalo de três anos, houve a queda do governo de Bashar al-Assad, na Síria, a guerra de Israel no Líbano com o Hezbollah, a guerra de Israel e EUA contra o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e, mais recentemente, o retorno do conflito entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.

O professor Bruno Huberman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que o 7 de outubro foi um “ponto de virada” na história da região e reorganizou as alianças políticas e militares do Oriente Médio.

“O bloco pró-EUA não existe mais porque teve um rompimento entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos com a guerra contra o Irã, onde a Arábia Saudita tentou manter uma agressividade não tão aberta, enquanto os EAU se juntaram a Israel para participar da agressão contra o Irã, ao lado dos EUA”, afirmou.

Um dos resultados desse rompimento foi a saída dos Emirados da Opep, cartel de nações petrolíferas que tem na Arábia Saudita a principal liderança.

Acordo militar de Meca

Com o prolongamento da guerra contra o Irã, a Turquia, a Arábia Saudita…

A matéria também aponta que essas mudanças de alinhamento afetam não apenas a geopolítica, mas também a dinâmica energética e de segurança na região, com o redesenho de parcerias e de estratégias entre potências regionais e globais.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal, a leitura sobre esse período enfatiza a reorganização de forças e a importância de acompanhar, de perto, as transformações no mapa de alianças do Oriente Médio.

Fonte: Agência Brasil, parceria do PrimeiroJornal.

Resumo: Em 7 de agosto de 2026, Paquistão e outros países formaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, um pacto de defesa mútua que prevê resposta coletiva a ataques contra qualquer membro. Analistas citados pela Agência Brasil associam o acordo a mudanças na geopolítica do Oriente Médio e à agenda palestina.

Palavras-chave: Acordo de Defesa Conjunta de Meca; Paquistão; Oriente Médio; Hamas; Palestina; Israel; Grande Israel

Mecca, 7 de agosto de 2026 — Paquistão e outros países formaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, um pacto de defesa mútua que determina que uma agressão a qualquer membro seria respondida por todos os signatários, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.

Guerras interligadas — A professora de relações internacionais Isabela Agostinelli, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), afirmou à Agência Brasil que as guerras ocorridas após o 7 de outubro estão interligadas ao ataque do Hamas, servindo para recolocar a questão palestina no centro da disputa regional.

São Paulo (SP), 26/06/2025 - O professor de relações internacionais Bruno Huberman é entrevistado por Leandro Demori no programa Dando a Real com Demori na TV Brasil. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Bruno Huberman avalia que a constituição desse bloco representa um desdobramento do 7 de outubro. Embora o grupo conte com aliados dos EUA, como Turquia e Arábia Saudita, a aliança não aponta o Irã como a principal ameaça da região.

Isabela Agostinelli dos Santos, Professor of International Relations at FECAP. Foto: Fecap/Divulgação

Crédito: Fecap/Divulgação

“Depois do 7 de outubro, a questão palestina é recolocada no centro novamente a ponto de a Arábia Saudita, que estava na iminência de normalizar as relações com Israel, dizer que não há qualquer acordo possível sem uma solução para a questão palestina”, destacou Isabela Agostinelli.

Para Isabela Agostinelli, Israel usou o 7 de outubro para expandir a guerra de Gaza para a Cisjordânia, o Líbano e o Irã com o objetivo de transformar a ordem regional a seu favor.

“Há um objetivo ali de basear essa ordem na desordem, no caos regional, em guerras intermináveis, que são muito lucrativas para a indústria de armas e de tecnologia que em Israel é muito forte”, disse à Agência Brasil.

Na avaliação da pesquisadora, por trás dessa agenda está o projeto da Grande Israel, uma proposta que existe desde o início do movimento sionista.

Resumo: Após o ataque de Hamas em 7 de outubro de 2023, analistas veem reorganização de blocos no Oriente Médio: três formações de poder — EUA-pró-Israel/Emirados; bloco intermediário Arábia Saudita-Paquistão-Turquia; Eixo da Resistência enfraquecido. Normalização Israel-Saudi pode viabilizar o IMEC entre Índia, Oriente Médio e Europa.

Oriente Médio — O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 é apontado por especialistas como catalisador de uma reorganização geopolítica na região, rompendo a antiga dicotomia entre blocos rivais e abrindo espaço para uma nova configuração de forças.

“Omã se aproximou do Irã, e os demais países do Golfo estão meio desordenados, sem saber se ficam mais do lado dos Emirados, ou do lado da Arábia Saudita”, ponderou Bruno Huberman.

Huberman afirma que, hoje, “três blocos, não mais dois. Tem os ultra-aliados dos americanos, que são Israel e Emirados, principalmente. E você vai ter esse bloco intermediário, que são a Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que buscam a política de não alinhamento entre EUA, China e Rússia”, comentou.

Coordenador do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da PUC-SP, Bruno Huberman acrescentou que o 7 de outubro levou ao enfraquecimento do Eixo da Resistência, que é o grupo de atores que fazem oposição à política de Israel e dos EUA na região.

Apresentado como terceiro bloco regional de poder hoje na região, o Eixo da Resistência teria perdido força, entre outros motivos, pela queda da Assad na Síria e o enfraquecimento do Hezbollah, no Líbano.

“Só tem o Irã como uma força estatal e as demais forças não estatais estão muito enfraquecidas, particularmente o Hamas”, disse Huberman.

Especialistas em Oriente Médio têm sustentado que o ataque do Hamas em 7 de outubro foi uma resposta do Eixo da Resistência aos chamados Acordos de Abraão.

Costurados por Israel e EUA para normalizar as relações dos países árabes com Tel Aviv, esses acordos buscam afastar a exigência árabe por mudanças na situação dos palestinos.

O professor Huberman destaca que um eventual acordo entre Israel e Arábia Saudita poderia consolidar o Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), anunciado em 9 de setembro de 2023, um mês antes do ataque do Hamas, conectando Índia, Emirados, Arábia Saudita, Israel e Grécia para reduzir a dependência europeia de energia russa e de mercadorias chinesas, substituídas por energia árabe e bens indianos.

“Esse corredor logístico ligaria a Índia, Emirados, Arábia Saudita, Israel e Grécia. Ou seja, para a Europa deixar de depender da energia russa e das mercadorias chinesas, se aproximando da energia árabe e das mercadorias indianas. O 7 de outubro se localiza nisso”, ponderou.

Por outro lado, Huberman acrescenta que também contribuiu para a decisão do Hamas de atacar Israel o avanço da colonização israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, territórios palestinos segundo o direito internacional.

“Foi uma resposta aos 70 anos de ocupação, 100 anos de colonização e do atual governo Netanyahu, que já vinha numa escalada agressiva desde a sua posse”, ponderou.

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