Resumo rápido: Juros altos dificultam acesso a crédito para a indústria brasileira, aponta a Sondagem Especial 107 da CNI. Em curto/médio prazo, 76% citam taxas elevadas; em longo prazo, 69%. Quase metade das empresas não buscou crédito; pequenas e médias registram maiores índices de insucesso. Redução de custos e simplificação de exigências são citadas como caminhos.
Brasil – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira a Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, que ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto. O levantamento aponta que os juros continuam sendo o principal obstáculo para obtenção de crédito no país, especialmente em operações de curto e médio prazo.
Para o crédito de curto e médio prazo, 76% das empresas citam as taxas como entrave, enquanto 69% apontam o mesmo problema no crédito de longo prazo. Em relação às exigências, as garantias reais aparecem como entrave para 33,4% (curto/médio) e 31,5% (longo). A burocracia responde por 13,6% no curto/médio, e a carência considerada insuficiente fica em 18,9% no longo prazo.
- Juros elevados: 76% (curto/médio) e 69% (longo).
- Garantias reais: 33,4% e 31,5%.
- Burocracia: 13,6% (curto/médio).
- Carência insuficiente: 18,9% (longo).
Quase metade das empresas industriais, 49,9%, não buscaram crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar ou renovar financiamento, e 7,5% tentaram, mas não obtiveram recursos.
No crédito de longo prazo, 54% não buscaram financiamento. Outros 15,5% conseguiram contratar ou renovar operações, e 9,2% tentaram, sem sucesso.
Entre as empresas que efetivamente buscaram crédito, a taxa de frustração aumentou em relação a 2025: Curto/médio prazo: 24,7% contra 20% em 2025; Longo prazo: 37,2% contra 33% no ano anterior.
As pequenas empresas tiveram os maiores índices de insucesso. No longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não obtiveram o crédito procurado, ante 29,9% das grandes.
Quanto ao uso do crédito, a pesquisa aponta que linhas de longo prazo continuam sendo procuradas para despesas do dia a dia. Entre quem buscou, contratou ou renovou esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como principal finalidade, seguido por 23,6% para máquinas e equipamentos e 11,6% para construção ou instalações. A tendência é que essas linhas, voltadas a investimentos, sejam menos utilizadas para folha de pagamento, insumos e outras despesas operacionais.
Segundo a CNI, esse movimento evidencia que linhas de longo prazo costumam financiar investimentos, enquanto despesas correntes costumam ser cobertas por operações de menor duração. No curto e médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como finalidade principal.
Entre as propostas para facilitar o acesso ao crédito, a redução de custos tributários e administrativos foi citada por 38,4% para o curto/médio prazo e por 31,2% para o longo prazo. Outras sugestões incluem ampliação das linhas públicas (22,8% no curto/médio e 26,3% no longo) e a simplificação das exigências bancárias (21,1% no curto/médio e 22,1% no longo).

