Resumo: Navi Pillay, jurista sul-africana e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, foi laureada com o Nobel da Paz 2026, segundo anúncio do Comitê Nobel norueguês. A premiação ressalta décadas de atuação em direitos humanos e direito internacional, incluindo liderança na ONU e investigações sobre Israel e Gaza. Pillay sucede María Corina Machado (2025). A cerimônia ocorreu em Oslo, na Noruega, consolidando sua defesa da justiça global sem violência.
Noruega — O Comitê Nobel Norueguês anunciou nesta sexta-feira (9) que Navanethem “Navi” Pillay, jurista sul-africana e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026. A decisão, comunicada pelo presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, reconhece décadas de atuação em defesa dos direitos humanos e do direito internacional.
Ao longo de sua trajetória, Pillay, atualmente com 85 anos, serviu como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Em atuação recente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos. A comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza, de acordo com informações divulgadas pela entidade.
“No momento em que o número de guerras e conflitos está aumentando e em que juízes e instituições de direito internacional são alvo de ataques políticos, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional”, afirmou Frydnes ao anunciar o prêmio.
“Um sistema jurídico internacional em que criminosos de guerra sejam responsabilizados e as vítimas de abusos vejam a justiça ser feita é condição essencial para um mundo pacífico”, acrescentou.
Pillay cresceu na África do Sul durante o regime de apartheid e tornou-se uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a advogar no país, destacando-se na defesa de ativistas antiapartheid. Como juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, ajudou a estabelecer o marco jurídico que reconhece a violência sexual como genocídio e crime de guerra.
A nomeação de 2026 sucede María Corina Machado, vencedora de 2025, reconhecida por seus “esforços incansáveis” na promoção dos direitos humanos e na busca por uma transição democrática na Venezuela. Machado entregou a medalha do Nobel ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco depois de Washington ter deposto Nicolás Maduro.
O Nobel da Paz é, frequentemente, visto como o prêmio mais prestigiado do mundo, com o comitê norueguês indicando uma extensa lista de candidatos a cada edição. Saiba mais sobre o trabalho de Navi Pillay na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.
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