Gaza: plano de paz não impede bombas diárias três anos após início do conflito

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo Jornalístico
Faixa de Gaza completa três anos desde o ataque de 7 de outubro de 2023, sem avanços no plano de paz mediado pelos EUA. OCHA aponta bombardeios diários de Israel em áreas densamente povoadas. Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos morreram e 147 ficaram feridos; total desde o cessar-fogo, em 2025, atinge 1.431. Especialista da Fecap avalia que a crise humanitária persiste, com poucas entradas de ajuda e controle de fronteiras por Israel.

Faixa de Gaza — Em 7 de outubro de 2026, comemora-se três anos desde o ataque do Hamas contra Israel, evento que marca um conflito que não encontrou solução no plano de paz mediado pelos Estados Unidos. Segundo análises, as negociações não resultaram em avanços na região, onde Israel mantém o controle de aproximadamente 60% do território palestino.

OCHA (Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários) publicou, na segunda-feira (5), relatório sobre Gaza destacando que os bombardeios aéreos de Israel contra áreas densamente povoadas continuam diários.

Entre 23 e 30 de setembro, segundo o Ministério da Saúde local, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos. Com esse registro, o total de óbitos desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, soma 1.431, o que implica quase quatro mortes por dia.

A professora de relações internacionais Isabela Agostinelli, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), disse, em entrevista à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, que a situação dos quase 2 milhões de palestinos “não melhorou em nenhum sentido” com o cessar-fogo.

“A situação humanitária ainda é catastrófica. Pouca ajuda humanitária sendo permitida de entrar por parte de Israel, que continua sendo o ator soberano que controla as fronteiras. O Conselho de Paz presidido por Trump não trouxe paz em nenhum sentido, não há perspectiva de reconstrução de Gaza”, afirmou a especialista.

ebcebc

Crédito: Agência Brasil

Sunrise Over Nuseirat...

Sol nasce a oeste do campo de refugiados de Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza, em 6 de outubro de 2026, véspera do terceiro aniversário do início da guerra, ocorrido em 7 de outubro de 2023 — Foto: Reuters/Hassan al-Jedi/Arquivo/Proibida reprodução

Crédito: Reuters/Hassan al-Jedi/Arquivo/Proibida reprodução

Fontes: OCHA, Agência Brasil (parceira do PrimeiroJornal) e Reuters.

Resumo: Financiamento para a ajuda humanitária em Gaza permanece crítico, com apenas 40% dos US$ 4 bilhões solicitados liberados. A ONU estima que até 1,4 milhão de pessoas (67% da população) enfrentem insegurança alimentar entre julho e dezembro. O impasse envolve desarmamento do Hamas e a desocupação de Gaza, enquanto milícias apoiadas por Israel disputam território com o Hamas. Palavras-chave: Gaza, ajuda humanitária, Hamas, desarmamento, milícias, ONU.

Gaza sob teto financeiro limitado. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o corte no apoio financeiro à ajuda humanitária na Gaza ocupada reduz as ações de socorro neste mês. A projeção da ONU aponta que 1,4 milhão de pessoas — 67% da população local — poderão enfrentar insegurança alimentar aguda entre julho e dezembro, caso o fluxo de recursos não seja ampliado conforme o necessário.

Desarmamento do Hamas. A mesma equipe de reportagem ouviu o professor Bruno Huberman, de Relações Internacionais da PUC-SP, que afirma haver um impasse central no chamado “plano de paz” promovido pelos EUA: o Hamas só aceitaria desarmar após Israel abandonar Gaza — condição que não tem se concretizado. Huberman, coordenador do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da PUC-SP, ressaltou ainda que o comitê tecnocrático de palestinos, informal e sem ligação formal com partidos, precisaria retornar a Gaza para monitorar a reconstrução, o que tem sido dificultado pelas restrições de Israel. “Para Israel desocupar Gaza, eles falam que o Hamas tem que se desarmar. A gente está nesse impasse, e os EUA não estão se posicionando para destravar”, completou o pesquisador.

São Paulo (SP), 26/06/2025 - O professor de relações internacionais Bruno Huberman é entrevistado por Leandro Demori no programa Dando a Real com Demori na TV Brasil. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Para Israel desocupar Gaza, o governo tem enfatizado a necessidade de desmilitarização completa; o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, já sinalizou que a transferência de autoridade civil para o NCAG dependeria dessa desmilitarização, o que complica ainda mais o avanço de qualquer acordo de paz.

Milícias anti-Hamas

A professora Isabel Agostinelli destaca que, enquanto o impasse segue sem solução, milícias recebem financiamento para disputar território com o Hamas em Gaza. Segundo a pesquisadora, esse apoio externo alimenta o dinamismo conflituoso em uma região já marcada pela instabilidade.

Isabela Agostinelli dos Santos, Professor of International Relations at FECAP. Foto: Fecap/Divulgação

“Esse cessar-fogo foi uma falácia. Claro que as bombas deixaram impactos contínuos na região”, afirmou a pesquisadora, destacando que a dinâmica entre grupos armado e atores externos continua a moldar o cenário de Gaza.

Conforme informações obtidas junto à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o quadro permanece complexo: qualquer avanço depende de avanços políticos, desarmamento e reconstrução, enquanto a comunidade internacional observa as dificuldades de financiamento que afetam diretamente a população civil.

Fonte: Agência Brasil (parceira do PrimeiroJornal)

Resumo
Gaza, Palestina: após o ataque de 7 de outubro, o conflito persiste com mortes e crise humanitária, influenciando o cenário político local. Netanyahu e o partido Likud aparecem fortalecidos, conforme relato do The Times of Israel. Pesquisadores descrevem desespero entre palestinos, e surgem dúvidas sobre a possibilidade de paz duradoura. Hamas poderá depor armas em um acordo considerado frágil, com escalada de violência ainda presente.

Gaza, Palestina — a escalada do conflito entre Israel e militantes palestinos continua a cobrar vidas e ampliar o sofrimento na faixa de Gaza. O episódio de 7 de outubro é apontado como marco que redefiniu estratégias políticas e operações militares na região. Conforme informações divulgadas pelo The Times of Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu, em junho de 2025, que apoia grupos armados em Gaza com o objetivo de poupar a vida de soldados israelenses, uma confirmação que influencia o atual equilíbrio de poder na área.

Bruno Huberman, pesquisador do Observatório de Conflitos do Oriente Médio, tem observado uma mudança perceptível na resistência palestina. Em suas palavras, há uma apatia e uma desesperança inéditas entre os palestinos com quem tem dialogado, tanto em Gaza quanto entre quem vive no exterior.

“Os palestinos sempre foram muito famosos por manter um brio na resistência muito grande, apesar de qualquer revés. Mas o pouco contato que tenho com os palestinos que estão lá, e também com os palestinos que vivem fora e vão visitar, é uma desesperança que, para mim, é inédita.”

Para Huberman, o 7 de outubro também representou um divisor de águas para o plano político de Israel. Ele afirma que esse movimento enfraqueceu a imagem internacional de Israel, gerando solidariedade à Palestine, porém com um custo humano significativo. O analista lembra que, antes do ataque, ainda havia resistência liberal dentro de Israel que defendia uma chance de paz com os palestinos; após o episódio, esse espaço foi reduzido, dificultando caminhos para uma convivência pacífica entre as partes.

Ao mesmo tempo, informações indicam que o Hamas tem aceitado depor suas armas em um acordo considerado frágil, em meio a negociações que tentam impedir uma escalada ainda maior. O contexto sugere que, embora haja abertura para compromissos, as condições persistem como um desafio de difícil resolução para as partes envolvidas, com impactos humanos que se mantêm.

Displaced Palestinians Live in Tents Amid Gaza Housing Crisis

Crédito: Reuters/Arquivo

Desse modo, o conflito segue em uma trajetória marcada por violência, desdobramentos políticos e uma crise humanitária que desafia expectativas de resolução a curto prazo. As fontes citadas destacam que, embora haja sinais de mudanças estratégicas, a paz continua distante e sujeita a compromissos frágeis entre as partes envolvidas.

Resumo: Em Gaza, o Hamas não se desmilitariza plenamente; Israel mantém o desgaste com a morte de líderes do Hamas quase semanalmente e avança na prática de armar milícias para substituí-lo. Em Cisjordânia, a colonização cresce desde 7 de outubro, com violência de colonos e isolamento da Autoridade Palestina. Eleições para o Parlamento palestino, que pode substituir Abbas, estão marcadas para 28 de novembro. Fontes: Agência Brasil / Reuters/Planet Labs.

Faixa de Gaza

A situação entre Hamas e Israel permanece tensa e marcada por desgaste mútuo. De acordo com informações da Agência Brasil, o grupo não se desmilitariza integralmente. Enquanto isso, Israel segue uma estratégia de desgaste, com a repetida morte de líderes do Hamas em operações que, segundo analistas, enfraquecem o aparato militar do movimento. Paralelamente, relatos apontam que Israel vem instruindo ou apoiando milícias para substituir o Hamas em Gaza, o que complica as perspectivas de uma solução estável no território.

Comparação de datas em local durante guerra na Faixa de Gaza. Foto: Reuters/Planet Labs/Arquivo/Proibida reprodução

Cisjordânia

Segundo informações obtidas junto à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a colonização na Cisjordânia acelerou desde o dia 7 de outubro, com aumento da violência de colonos contra a população palestina e tentativas de expulsão de moradores de suas próprias casas. A pesquisadora Isabela Agostinelli afirmou que a violência desses colonos conta com a anuência do próprio Estado israelense.

A violência é justificada pelo governo israelense como parte do “combate ao terrorismo”, enquanto o premiado líder israelense, Benjamin Netanyahu, não reconhece o direito dos palestinos às terras da Cisjordânia, segundo as análises citadas pela agência.

Bruno Huberman, professor da PUC-SP, reforçou que os ataques de colonos tendem a isolar ainda mais o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Com o cenário político interno conturbado, uma ala mais à esquerda do Fatah busca alianças com a Jihad Islâmica e com o Hamas para as próximas eleições, com a ideia de formar um governo de coalizão nacional que possa substituir Abbas.

Quase 20 anos após a última eleição legislativa, a Autoridade Palestina marcou para o dia 28 de novembro a votação que definirá o Parlamento a substituir Abbas na liderança da administração palestina instalada na Cisjordânia.

Veja a galeria:

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Homem é baleado dentro de um carro por agentes do ICE em Nova York

Resumo: Marble Hill, Nova York — agentes da ICE atiram contra um homem dentro de um carro, na presença de uma...

EUA sancionam o TPI logo após ex-juíza receber Nobel

Resumo Jornalístico Washington impõe sanções ao Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta sexta-feira (9). Medidas podem abranger empresas que prestam serviços ao TPI, aprofundando atrito com...

Terremoto de alta intensidade abala Panamá; canal opera normalmente

Resumo Terremoto de magnitude 7,6 atinge a costa sul do Panamá, a...