Operação Faroeste: condenação de ex-presidente do TJ-BA, magistrado e mais três por venda de decisões judiciais

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo

Bahia — STJ condena cinco de oito réus na Operação Faroeste, em decisões ligadas à venda de decisões judiciais no estado; penas variam de 16 a 21 anos. Três réus foram absolvidos por falta de provas. Caso envolve grilagem de terras no oeste baiano, estimada em centenas de milhares de hectares, com movimentação próxima de R$ 1 bilhão.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Bahia — O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou cinco de oito réus acusados de integrar o esquema de venda de decisões judiciais na Bahia, conhecido como Operação Faroeste, em decisão anunciada nesta quarta-feira (21). As sentenças variam entre 16 e 21 anos de prisão em regime inicial fechado, e três réus foram absolvidos por insuficiência de provas. A corte destacou que ainda é possível recorrer.

Entre os condenados, está a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Ela recebeu pena de 14 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Pelo mesmo conjunto de acusações, o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio foi condenado a 15 anos e 8 meses de reclusão, também em regime inicial fechado. Além da prisão, a decisão prevê a perda do cargo público; no caso de Sampaio, essa sanção foi convertida para a cassação da aposentadoria compulsória.

Outros condenados incluem o empresário Adailton Maturino dos Santos, com 21 anos e 7 meses de prisão; a esposa dele, Geciane Souza Maturino dos Santos, com 16 anos e 4 meses; e o advogado Ricardo Augusto Três, com 10 anos e 9 meses.

Entre os réus absolvidos, estão a cantora Amanda Santiago Andrade Sousa, ex-vocalista da banda Timbalada e filha da desembargadora, bem como Valdete Aparecida Stresser e Mário Duarte Miranda, segundo a decisão do STJ.

O ministro OG Fernandes, relator do caso, apresentou seu voto à tarde, em um Web de mais de duas horas de discussão. A corte acompanhou o relator por unanimidade.

Operação Faroeste teve início em 2019, com investigações que apontaram a atuação de magistrados para favorecer empresários do agronegócio na regularização de terras no oeste baiano. A apuração sugere que o esquema visava legalizar mais de 360 mil hectares de áreas griladas, movimentando quase R$ 1 bilhão.

A defesa dos condenados poderá recorrer da decisão, conforme previsto em lei.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Resumo: Denúncia em Formosa do Rio Preto, Bahia, aponta um esquema de grilagem e propina envolvendo empresário, advogados e magistrados. Entre os citados estão Adailton Maturino dos Santos, Geciane Maturino dos Santos, Sérgio Humberto de Sampaio, Maria do Socorro Barreto Santiago, Amanda Santiago Andrade Sousa, Márcio Duarte Miranda, Valdete Aparecida Stresser e Ricardo Augusto Três. Alguns chegaram a ficar presos, hoje aguardam julgamento em liberdade.

Formosa do Rio Preto, Bahia — Denúncia penal aponta participação de oito pessoas em um esquema de grilagem de terras e pagamento de propina. A investigação levou à detenção de parte do grupo, mas todos aguardam julgamento em liberdade. Entre os citados estão Adailton Maturino dos Santos (empresário), Geciane Maturino dos Santos (advogada e esposa de Adailton), Sérgio Humberto de Sampaio (juiz), Maria do Socorro Barreto Santiago (desembargadora e ex-presidente do TJ-BA), Amanda Santiago Andrade Sousa (advogada e filha da desembargadora), Márcio Duarte Miranda (advogado), Valdete Aparecida Stresser (advogada) e Ricardo Augusto Três (advogado e servidor do tribunal).

Adailton Maturino dos Santos é apontado como o líder do esquema e principal beneficiário das decisões de grilagem, segundo a denúncia. A lista inclui ainda Geciane Maturino dos Santos, esposa do empresário, acusada de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Sérgio Humberto de Sampaio é citado como o juiz envolvido na prática de proferir decisões e liminares encomendadas para validar títulos de propriedade falsificados, conforme aponta a denúncia.

Maria do Socorro Barreto Santiago, desembargadora e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, é descrita como uma das figuras centrais no recebimento de vantagens indevidas, segundo o documento acusatório.

Amanda Santiago Andrade Sousa é citada como advogada e filha da desembargadora. A denúncia a acusa de atuar como intermediária financeira para dissimular a origem das propinas recebidas pela mãe.

Márcio Duarte Miranda, advogado, é apontado como o operador jurídico do esquema, responsável por peticionar e intermediar pagamentos aos magistrados.

Valdete Aparecida Stresser, advogada, é acusada de corrupção ativa.

Ricardo Augusto Três, advogado e servidor público do tribunal, é acusado de fornecer o apoio operacional para acelerar e manipular o andamento dos processos do grupo.

Defesas — As defesas de Maria do Socorro Barreto Santiago e de Amanda Santiago Andrade Sousa divulgaram-se sobre o julgamento da Ação Penal nº 985/DF, concluído pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, afirmando que o processo é tratado com tranquilidade pela corte.

Resumo Jornalístico
– Amanda Santiago é absolvida pela Justiça por ausência de dolo e de provas, encerrando anos de tramitação do processo.
– Ao mesmo tempo, a Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago é condenada; a defesa reagirá com recursos.
– A defesa sustenta falhas no conjunto probatório; a condenação seria embasada por lacunas preenchidas por presumções, incluindo uso de um caderno esotérico apreendido.
– A matéria tem como fonte o G1, parceiro do PrimeiroJornal.

Amanda Santiago é absolvida por ausência de dolo e de provas, na Justiça baiana. Em decisão recente, a Justiça baiana absolveu a empresária Amanda Santiago por ausência de dolo e de provas, reconhecendo sua inocência após anos de tramitação do processo que a envolveu. A defesa afirma que a decisão corrobora o que já vinha sendo sustento desde o início e encerra um capítulo marcado por cobranças e pressões públicas sobre a whistleblower do caso.

Condenação da Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago gera resistência da defesa. Paralelamente, a equipe jurídica da Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago informou que a condenação foi recebida com perplexidade e que serão utilizados todos os recursos cabíveis para que a decisão seja revista. A crítica central é que o conjunto probatório apresentado no processo não teria lastro suficiente para sustentar pena mais severa.

Acusações destacam falhas no inquérito e uso de itens não convencionais para fundamentar a pena. O material de defesa aponta que não houve interceptação, filmagens ou testemunha direta do suposto acordo, e que houve uma operação financeira entre irmãos que o tribunal teria reinterpretado como propina. Um elemento particularmente contestado é o uso de um caderno esotérico de autoajuda apreendido na residência da magistrada, contendo anotações íntimas de cunho místico, que teriam sido utilizadas para inferir traços de personalidade e sustentar o incremento da pena.

Discrepâncias dentro do mesmo julgamento. A reportagem indica que, no mesmo processo, outras absolvições por falta de provas foram reconhecidas diante do mesmo acervo probatório, o que chamou a atenção por permitir diferentes leituras das lacunas existentes. A desembargadora, com décadas de serviço à Justiça baiana, teve sua vida profissional exposta por anos de investigação, conforme destacam as fontes.

Contato com outros réus. A equipe de reportagem tentou contato com os demais réus envolvidos, mas não obteve retorno até o momento da última atualização desta matéria. O desfecho do caso segue sob análise de instâncias superiores, com a defesa da magistrada prometendo novos recursos. Conforme informações obtidas junto ao G1, parceiro do PrimeiroJornal.

Fonte: G1

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