Bahia registra 712 doações de órgãos e 803 transplantes até setembro. Ontem, três doações foram contabilizadas em Feira de Santana, Porto Seguro e Salvador; hoje, Barreiras confirmou uma doação de múltiplos órgãos. Obstáculos: recusa familiar e desconhecimento sobre o processo. Avanços: credenciamentos de unidades, expansão de centros existentes e capacitação de profissionais.
Bahia – O Sistema Estadual de Transplantes, vinculado à Secretaria da Saúde, informou que, até o último mês de setembro, foram registradas 712 doações de órgãos, que viabilizaram 803 transplantes no estado. Na última semana, três doações foram contabilizadas em Feira de Santana (Hospital Geral Clériston Andrade), Porto Seguro (Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães) e Salvador (Hospital Municipal). Hoje, no Hospital do Oeste, em Barreiras, ocorreu a doação de múltiplos órgãos.
Segundo Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, a negativa familiar e o desconhecimento da população sobre como funciona a doação ainda dificultam o aumento do número de transplantes. O médico ressalta, porém, avanços no credenciamento de unidades para transplante renal e cardíaco, como o IBR em Vitória da Conquista, a ampliação da capacidade do Hospital Ana Nery para transplantes e o credenciamento do Hospital Martagão Gesteira para transplante pediátrico de rim, fígado e medula.
A Sesab também tem investido na capacitação de recursos humanos. No último ano, foram promovidos 22 cursos para médicos voltados ao diagnóstico de morte encefálica, além de treinamentos para profissionais envolvidos no processo de doação de órgãos. A intensificação das ações de divulgação e parcerias com a Polícia Militar, Sesc e Polícia Rodoviária contribuíram para os resultados observados.
A lista de espera por um órgão é organizada com base em critérios técnicos, incluindo tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade distintos para cada órgão. Quando os critérios técnicos são parecidos, a ordem de chegada funciona como desempate, com pacientes em estado crítico recebendo prioridade. Situações de gravidade extrema, como impossibilidade de diálise para pacientes renais, insuficiência hepática aguda para o fígado, necessidade de assistência circulatória para cardiopatas e rejeição de transplantes recentes também influenciam na organização da fila, que é única para pacientes do SUS e da rede privada.

