Suspeito Marcinho VP mandou criar associação de moradores mesmo preso, segundo a polícia
RESUMO: Polícia Civil do Rio aponta que Marcinho VP, líder do Comando Vermelho, ordenou a criação de uma associação de moradores durante décadas de prisão, para ampliar influência em comunidades; apuração envolve diálogo entre familiares e lideranças do CV.

Segundo apuração de Liberdadenews, parceiro do PrimeiroJornal, Marcinho VP teria exigido a formação de uma associação de moradores em Vila Norma, possivelmente em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para ampliar o controle sobre decisões comunitárias, mesmo já detido há décadas.
Conversa entre Márcia Nepomuceno e Marquinhos Balão — a polícia identificou um diálogo em que Marquinhos Balão informou ter criado a associação em Vila Norma, com a presidência ocupada por ele desde dezembro de 2021; a conversa sugere vínculo entre a entidade e o contexto do Complexo do Alemão, sob influência da facção.
A investigação aponta que a entidade mencionada estaria ligada ao entorno do Complexo do Alemão, mas não foi possível confirmar a sua relação direta com a associação mencionada na diligência em São João de Meriti. A apuração considera que o objetivo seria manter canais de comando mesmo com a prisão de Marcinho.
O desenrolar da apuração teve início após a apreensão do celular de Márcia durante diligências ligadas a um inquérito em São Paulo que investiga um disparo de arma de fogo envolvendo Oruam, filho do casal.
Márcia Nepomuceno permanece presa desde o mês passado, alvo de uma operação da Polícia Federal que mirou suposto monopólio no fornecimento de internet nos conjuntos do Alemão, da Penha e do Chapadão. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Recursos do CV e uso de patrimônio — o Ministério Público do Rio (MPRJ), que também investiga o caso, sustenta que recursos atribuídos ao CV teriam sido usados para despesas pessoais e familiares de Marcinho. Em diálogos, Márcia e Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, discutem a liberação de 28 mil reais solicitados a Pezão; 8 mil seriam destinados a um chá de bebê e 20 mil à mobília de uma filha de Márcia, com Marcinho, identificado como “Nego”, cobrando o valor.
Em outro diálogo, Márcia pediu ao filho Oruam que requisitasse 10 mil reais a Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha, para pagar uma fatura de cartão de crédito. As mensagens indicam que familiares de Marcinho teriam acesso a recursos administrados por lideranças do Comando Vermelho, inclusive para despesas privadas.





