Diego Souza é afastado por 360 dias e multado em R$ 20 mil por licença de treinador falsa
RESUMO: Diego Souza, técnico do Joinville, foi condenado a 360 dias de suspensão e a uma multa de R$ 20 mil por uso de licença supostamente falsa para registro profissional; defesa pretende recorrer.
Em decisão anunciada nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC) confirmou a condenação de 360 dias de suspensão da função de treinador ao ex-jogador Diego Souza, que atualmente comanda o Joinville, além de uma multa de R$ 20 mil.
A pena foi definida por unanimidade, com 3 votos a 0, e levou em conta o uso de uma licença supostamente falsa para obtenção de registro profissional junto à CBF. Parte da punição já havia sido cumprida de forma preventiva, restando 340 dias de afastamento; também há um prazo de 15 dias para o pagamento da multa.
A defesa informou que pretende recorrer, inicialmente ao Pleno do TJD-SC, e, posteriormente, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
O caso tem origem em uma investigação sobre a comercialização de licenças falsas de treinadores, envolvendo o ex-jogador argentino Alejandro Mancuso.
Segundo a denúncia da Procuradoria da Justiça Desportiva de Santa Catarina, Diego Souza teria utilizado um documento atribuído à Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) para obter seu registro profissional junto à CBF.
A ATFA informou que não havia registro acadêmico correspondente ao curso indicado no diploma apresentado pelo ex-atleta, além de inconsistências na assinatura.
A Conmebol afirmou não ter encontrado qualquer licença registrada em nome de Diego Souza; diante das irregularidades, a CBF cancelou o registro no BID no início de outubro.
A denúncia está fundamentada no CBJD, artigo 234, §1º, que prevê suspensão de 180 a 720 dias e multa de até R$ 100 mil.
Diego Souza afirmou ter sido vítima de golpe; em seu relato, negou ter conhecimento da falsidade e disse ter recebido uma proposta de Mancuso em 2023, ainda na carreira como jogador, acreditando poder obter a licença por meio de um procedimento especial para ex-jogadores.
Em depoimento, o treinador reconheceu que não frequentou as aulas para o certificado, mas sustentou ter confiado na validade do processo apresentado pelo argentino.
Ele ainda afirmou sentir vergonha e informou à CBF assim que tomou conhecimento das suspeitas, incluindo a possibilidade de ter sido vítima de um golpe.
Antes do julgamento, o Joinville já havia imposto suspensão preventiva em 23 de outubro, o que o afastou de acompanhar as partidas em estádios. O auxiliar Raphael Bahia passou a comandar a equipe em campo durante esse período.
No último domingo, Diego Souza acompanhou de perto a vitória do Joinville por 3 a 0 sobre o Metropolitano, pela Copa Santa Catarina, no estádio João Marcatto. A equipe permanece classificada às semifinais, mas precisará conviver com a suspensão até os desdobramentos do processo na Justiça Desportiva.





