Brasília ??? O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF), em discurso inflamado em São Paulo, ao citar que o Brasil pode ter ???eleições conturbadas??? este ano e que a liberdade de expressão está sendo tirada por ???canetas???. Ele participou da cerimônia de abertura da APAS Show, feira do setor de supermercados e alimentos, na Zona Norte da capital. O evento contou com um almoço com cerca de 600 empresários. “Ou nós decidimos no voto para valer, contabilizado, auditado, ou a gente se entrega. E se se entregar, vocês vão levar 50 anos ou mais para voltar à situação que está hoje em dia”, afirmou, sem deixar claro o que quis dizer exatamente.
O discurso do presidente durou cerca de uma hora. “O Brasil tem jeito, vocês foram excepcionais nessa pandemia, mas tudo pode acontecer. Podemos ter outra crise, podemos ter umas eleições conturbadas. Imagine acabarmos as eleições e pairar para um lado ou para o outro as suspeição [sic] que elas não foram limpas? Não queremos isso”, disse o chefe do Executivo.
Ele afirmou também que “nunca será preso”. “Mais da metade do meu tempo eu me viro contra processos. E até já falam que vou ser preso. Por Deus que está no céu, eu nunca serei preso”, disse. A declaração é uma referência ao seu principal adversário nas eleições deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse na semana passada que o atual chefe do Executivo federal teme ser preso caso perca em outubro. “Não estou dando recado para ninguém. Em 2019, começamos enfrentando problemas éticos, morais e econômicos. Ao longo do ano muita coisa foi aprovada”, emendou, citando a reforma da Previdência e a lei da liberdade econômica. Na semana passada, o TSE concluiu novos testes nas urnas eletrônicas e constatou que são invioláveis.
Bolsonaro mandou recado ao STF em seu discurso para empresários. “O que tentaram nos roubar em 64, tentam nos roubar agora. Lá atrás, pelas armas, hoje pelas canetas: liberdade de expressão. Outro dia me perguntaram: ‘E quem levanta uma faixinha de AI-5?’. Você tem que ter pena desse cara, não é prender esse cara não. Tem que ter pena dele. Ele nem sabe o que é AI-5. Quando a esquerdalha me chama de fascista, não sabe o que é ser fascista. Mas entendo tudo isso como liberdade de expressão”, afirmou.
Ele citou declaração dada no domingo, quando disse que quem considera as manifestações bolsonaristas de 7 de setembro e 1º de maio antidemocráticas é ???psicopata??? ou ???imbecil???. “Até desabafei ontem (domingo), com a imprensa e falei: todo aquele que viu nas manifestações de rua de 7 de setembro ou 1º de maio como manifestações contra a democracia, atos antidemocráticos, para mim, essa pessoa é um psicopata ou um imbecil. A liberdade é mais importante do que a nossa própria vida”, completou.
PETROBRAS Em seu discurso em São Paulo, Bolsonaro ironizou os lucros da Petrobras. Comparou a estatal a um time de futebol que quer ser “campeã do mundo” . “Todos têm que ter consciência, apertar o cinto, salvar o Brasil como fizeram todas as petrolíferas do mundo. Diminuíram seu lucro. Exceto a Petrobras Futebol Clube. Essa está preocupada em ser a campeã do mundo”. Em seguida, emendou: “Enquanto nós pensamos em ser campeão brasileiro, a Petrobras quer ser campeã do mundo. Nada contra a empresa ter lucro. Tem que ter lucro, senão não existe mercado livre, não existe demo- cracia. Ser contra o capitalismo, a gente sabe que isso não dá certo”, emendou.
“E aí a gente é obrigado a mexer nas peças do tabuleiro. Dói mandar alguém embora ou quando alguém pede para ir embora? Dói, não é fácil, mas as coisas acontecem e nós temos que mudar. Pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão”, concluiu. No último dia 5, a Petrobras divulgou o seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano: R$ 44,561 bilhões. O valor é 3.718% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Já no dia 11, o então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque foi exonerado e no seu lugar assumiu o economista Adolfo Saschida, ex-assessor especial de assuntos estratégicos do ministro da Economia, Paulo Guedes, que é defensor da política de paridade de preços internacionais da Petrobras.
???GORDINHO??? Bolsonaro disse também ter sofrido ameaças em seu gabinete, no Palácio do Planalto, de um “parlamentar gordinho”, que teria condicionado a votação de pautas de interesse do governo à entrega de ministérios para a base partidária. A declaração ocorreu durante evento de abertura da APAS Show, feira do setor de supermercados e alimentos, em São Paulo. Embora não tenha citado nominalmente a quem se referia, o chefe do Executivo já usou a expressão para falar do ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia.
???Quantas vezes chegava um parlamentar gordinho lá, nada contra os gordinhos. ‘Olha, se não arranjar esse ministério não entra em pauta nada, nem na Câmara, nem no Senado’. ?? foda trabalhar assim. Não se pensa no Brasil de jeito nenhum, o Brasil que se exploda. Essa é a máxima, quase que uma regra da política brasileira. Como trabalhar em um ambiente desse????, questionou.
Bolsonaro ainda lembrou a facada recebida em 2018 e repetiu que é “imorrível”. “Tentaram me tirar de combate, mas eu sou imorrível, além de dois I’s que eu não vou citar aqui”. Em outras ocasiões, ele disse ser “Imorrível, imbrochável e incomível”. Também repetiu que se sente como “um prisioneiro sem tornozeleira eletrônica”, mas que sua missão é “tentar mudar o Brasil”. (Com agências)
Ex-ministro fala como candidato
Brasília ??? O ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato ao governo de São Paulo, também discursou no APAS Show, feira do setor de supermercados e alimentos, e falou aos empresários sobre “otimismo” no futuro, além de elogiar a gestão Bolsonaro. “Foram dois anos de luta, mas dois anos também de vitórias. Enfrentamos tudo que um país poderia enfrentar num período curto: pandemia de COVID-19, enfrentamos crise hídrica, e como se não faltasse mais nada, a guerra da Ucrânia. Mas enfrentamos com luta e os resultados estão vindo graças ao brilhantismo do Paulo Guedes, graças à firmeza, coragem e sensibilidade de Bolsonaro. O Brasil trilhou caminho de consolidação fiscal.”
Tarcísio apontou ainda que a “infraestrutura será a grande alavanca para empregos” no país e sinalizou o “esforço do chefe do Executivo para reduzir tributos”. “Quando a gente pega as oportunidades, tudo que está sendo plantado, não tem outra postura senão a do otimismo. Não tem como a gente desanimar. Não tem como a gente ser entorpecido, contaminado por narrativas ruins. ?? um pedido que eu faço a vocês: não se deixem contaminar pela narrativa porque no dia em que a gente permitir que a narrativa ruim se sobreponha à realidade, a gente vai condenar o nosso futuro a virar a narrativa ruim que estão nos impondo. E isso a gente não pode permitir. Eu sigo acreditando no país do futuro, eu sigo acreditando na geração que se comprometeu a transformar o Brasil que vem caminhando firme sob a liderança do presidente”, disse.
Sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Tarcísio de Freitas falou em uma política de devolução de crédito ou redução do imposto, mas não detalhou. “Imagina se a gente tiver uma política de devolução de crédito de ICMS e até de redução de ICMS, o que isso pode gerar em termos de produção, investimento e esse investimento rapidamente vai ser traduzido em emprego. A linha que o governo adotou sempre foi a de desonerar o produtor em todos os momentos, para acabar com multas excessivas no campo. A mesma coisa tem que acontecer no setor de supermercados. Vamos falar sim, mas sem asfixia. Tendo razoabilidade. A gente não pode impor ônus desnecessário a quem produzir, a quem gera emprego.”
Na abertura do painel da Associação Brasileira de Supermercados, o presidente da entidade, João Galassi, agradeceu ao presidente e ao Congresso pelas ações econômicas em meio à pandemia. “Os desafios são enormes, mas temos muito o que agradecer, em especial ao presidente Bolsonaro e ao Congresso pelo Auxílio Brasil, que dobrou a renda dos mais necessitados, pela redução do IPI, pela redução das taxas de importação dos itens da cesta básica e pela recente liminar que iguala os preços dos impostos do diesel nos estados”, afirmou Galassi.
O empresário ainda relatou um pedido do presidente para redução dos preços da cesta básica. Ele prometeu uma reunião com os setores envolvidos. “A seu pedido referente à redução da cesta básica, sugeri ao ministro Guedes que convide para a reunião todos os setores, agro e indústria, para estudarmos alternativas do preço da cesta básica. Temos que unir a cadeia para esse diálogo”, acrescentou. A APAS Show é considerada uma das principais feiras de alimentos, bebidas, mercearia, FLV, higiene e limpeza do mundo, além de tecnologia, inovação, logística, finanças, infraestrutura, equipamentos e startups, com duração de quatro dias.

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